A abertura oficial da Feira do Verde foi cancelada, depois que 60 manifestantes vestidos de eucalipto ocuparam, na noite desta terça (11), a área do evento, portando faixas e repetindo gritos de “Farsa do Verde”. O protesto denunciou a atuação das poluidoras, deixando constrangidos os políticos e representantes de empresas presentes à solenidade.
Deveriam subir ao palco para a abertura do evento o prefeito de Vitória, João Coser (PT), o secretário estadual de Agricultura, César Colnago, o deputado e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Reginaldo Almeida (PSC), entre outros representantes da prefeitura e do Estado. Entre eles, estava ainda o deputado Cláudio Vereza (PT), que declarou que a manifestação já era esperada.
“É importante que a prefeitura garanta o direito ao contraponto, como fez com a Feira do Lado B”, disse ele, enfatizando o espaço reservado para o espaço alternativo dedicado aos ambientalistas este ano.
Durante a panfletagem pela feira, os manifestantes contaram com o apoio da população. Alguns até aderiram ao movimento ao colocaram as máscaras de proteção no rosto, como usavam os manifestantes, para mostrar insatisfação em relação à poluição do ar emitida por empresas como ArcelorMittal (CST e Belgo) e Vale, umas das poluidoras que patrocinam o evento, além da Samarco.
Mesmo com a solenidade cancelada, os manifestantes circularam panfletando pela feira e erguendo as faixas de protesto com os dizeres: “Mentira”, “Anchieta quem ama cuida! Xô Baosteel”, “Eucaliptos não fazem florestas”, entre outros.
Este foi o quarto ano em que a Brigada Indígena organizou o protesto contra a feira, classificada como o maior evento ambiental do Espírito Santo, embora seja mantida pelas empresas que acumulam o maior passivo ambiental no Estado.
Durante todos os dias da feira, que vai até o próximo domingo (16), os manifestantes prometem manter a panfletagem que alerta sobre a atuação das poluidoras no Espírito Santo. Segundo a Brigada Indígena, com a participação dessas empresas, o evento deixa de expor os verdadeiros impactos ambientais, promovendo uma espécie de marketing ambiental que só engana a população.
A Brigada Indígena é um grupo de apoio à causa indígena Tupinikim e Guarani do Estado, formado por universitários e ativistas de diversas áreas e posições políticas, preocupados com o futuro e a saúde do planeta.
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