O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Aqüicultura, Abastecimento e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural promove, nesta quarta-feira (12), o Dia Especial sobre a Cultura do Abacaxi. O encontro faz parte das ações para o fortalecimento do Pólo de Abacaxi no extremo Norte do Estado e será realizado às 8 horas, no Lions Clube, em Pinheiros.
Na programação, haverá palestra do coordenador do programa de fruticultura do Incaper, Aureliano Nogueira da Costa, sobre o Programa de Fruticultura do Espírito Santo. A seguir, o doutor e pesquisador do Incaper, José Aires Ventura, fará uma apresentação sobre Característica e Manejo da Cultivar Vitória. Outro tema que será abordado no evento é a Perspectiva do Mercado de Abacaxi, pelo gerente estadual do Programa de Fruticultura, Dalmo Nogueira da Silva.
Após a parte teórica, a Seag vai disponibilizar aos produtores 56 mil mudas de culturas de tecidos, ou seja, obtida em laboratório com alta qualidade e isenta de pragas e doenças. Essas mudas deverão ser implantadas em viveiros de aclimatação para a reprodução, com uso de alta tecnologia.
Serão beneficiadas apenas associações/cooperativas de produtores dos oito municípios que integram a região extremo Norte do Estado – São Mateus, Pinheiros, Conceição da Barra, Pedro Canário, Boa Esperança, Montanha, Mucurici e Ponto Belo. Serão sete mil mudas para cada município. A região possui atualmente 50 hectares, com produção de 1,3 mil toneladas e 100 produtores envolvidos na atividade.
Para a entrega das mudas, serão assinados termos de cooperação entre o Governo do Estado e as associações/cooperativas, em que define a devolução de duas mudas para cada muda recebida, por parte da beneficiada.
Haverá também, durante o Dia de Campo, visita técnica ao viveiro de aclimatação das mudas de abacaxi da Associação de Produtores Rurais de São Domingos e à lavoura de abacaxi em produção, na fazenda Bom Gosto.
Pólo de Abacaxi no extremo Norte
O cultivo de abacaxi já é tradicional na Região Sul capixaba, principalmente entre os municípios de Marataízes, Presidente kennedy e Itapemirim. Já no extremo Norte do Estado, a produção se iniciou em 2004, com incentivos do Governo. Em 2006 houve a expansão da cultura após o lançamento pelo Incaper do abacaxi Vitória, variedade resistente à doença que mais atinge as lavouras do país: a fusariose.
Outro motivo que favorece a produção no extremo Norte é a aptidão da fruta para as condições de clima e de solo. A região apresenta déficit hídrico e, o abacaxi, pouca exigência à água. Além disso, com a crescente demanda pela indústria de processamento de frutas, os produtores estão bastante animados com a oportunidade.
O diretor presidente do Incaper, Gilmar Dadalto, afirma que a produção de abacaxi na região Norte, apesar de responder por apenas 2% do total do Estado, terá a vantagem ser implantada com bases tecnológicas. “Isso significa uma nova fonte de geração de renda para o produtor da região Norte. É uma cultura de pouca exigência hídrica e que apresenta menor custo de produção em relação a outras frutas”, frisou
O coordenador do programa de fruticultura do Incaper, Aureliano Nogueira da Costa, disse que o evento vem reforçar o intuito do Governo de expandir a produção para o Norte do Estado. “O fortalecimento da base produtiva com ênfase na geração de tecnologia adaptada à região e ao pequeno produtor de base familiar reafirma o nosso compromisso quanto ao desenvolvimento sustentável da região.”
Segundo o técnico do Incaper de Pinheiros, Francisco Antônio Martins dos Santos, a demanda tem aumentado por parte dos produtores do Norte. “Hoje os próprios produtores de abacaxi querem plantar a cultivar Vitoria. É uma variedade resistente à fusariose, o terror dos produtores. Isso deu animo à produção. Até então, as lavouras não eram bem sucedidas em função dessa doença”, explica.
Abacaxi Vitória
O abacaxi ‘Vitória’ foi lançado em 2006 na Fazenda Experimental do Incaper, em Sooretama, após 10 anos de pesquisa. Suas principais características são frutos com 1,5 kg, ausência de espinhos nas folhas e coroa pequena, o que facilita os tratos culturais. A variedade pode ser destinada tanto para o mercado de consumo in natura quanto para a agroindústria. Além disso, seus frutos apresentam polpa branca e um elevado teor de açúcares, o que lhe confere sabor e doçura inconfundíveis.
Obtido a partir da seleção e do cruzamento de híbridos desenvolvidos pela Embrapa, o ‘Vitória’ apresenta como principal característica a resistência à fusariose, doença que provoca perdas de até 40% na produção, ameaçando praticamente todo o território nacional.
Com este novo cultivo, os custos de produção das lavouras de abacaxi são bem inferiores, pois não há necessidade da aplicação de fungicidas para o controle da doença, aumentando a competitividade do setor e trazendo benefícios ao meio ambiente e à saúde dos produtores e consumidores.

