A Mata Atlântica no Espírito Santo está em apenas 11% de todo o território capixaba. É no sul do Estado onde fica a área mais preservada. Por isso há toda uma preocupação dos técnicos do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) para que haja preservação da floresta. A tentação é grande para os agricultores. Alguns não resistem e desmatam para iniciar uma nova plantação. Semanalmente eles são visitados.
O ritmo de desmatamento da Mata Atlântica no Espírito Santo tem diminuído. Caiu 69% entre 2000 e 2005, em comparação com o período de 1995 a 2000. Os dados são da ONG SOS Mata Atlântica. E o Estado foi o local no Brasil onde ocorreu a maior redução na ocorrência de novos desmatamentos. Por isso, o agricultor tem que ser convencido da importância de contribuir para a diminuição da degradação.
Para o biólogo Tiago Belote, o diálogo é a melhor forma de convencer o agricultor de que ele é o ator principal de qualquer ação de preservação que se possa desenvolver. “Essa relação está cada vez mais estreita. O diálogo está cada vez melhor. E isso conscientizou o produtor rural, tanto que ele vê na própria propriedade a qualidade ambiental melhorar e ele percebe que isso influencia em toda a bacia hidrográfica”.
As florestas, principalmente as tropicais, são fundamentais para o equilíbrio climático do planeta. Com elas, os ecossistemas são mantidos de forma saudável e o fluxo da água é regulado. A presença da cobertura florestal proporciona uma melhor filtragem da água no solo, o que resulta em um maior abastecimento do lençol freático.
As várias nascentes das propriedades rurais de Alfredo Chaves abastecem a bacia do Rio Benevente. Três municípios são atendidos pela bacia hidrográfica: Alfredo Chaves, Anchieta e parte de Guarapari. O professor Antônio Sérgio Ferreira, doutor em Engenharia de Recursos Hídricos, conhece bem a situação das bacias hidrográficas do Estado e explica porque é importante a manutenção da vegetação.
“A vegetação, com suas raízes, serve para abrir caminhos para a água. Para que a água da chuva possa se infiltrar e ser armazenada no lençol subterrâneo”, disse.
Quando essa água é armazenada, é possível evitar que ela escoe direto pelo solo e possa virar uma enchente ou uma inundação. “É essa água que está armazenada que faz com que, na época em que não está chovendo na bacia, o rio continue se mantendo. Então a vegetação é fundamental para que na época em que não estiver chovendo você tenha água nos córregos para abastecimento, irrigação e outros usos”, explicou.
Se é essencial a manutenção das florestas, é preciso dar ao produtor rural um incentivo a mais. Algo que compensasse a preservação da área. E isso veio com o programa Produtores de Água, do Governo do Estado. “Antes a floresta tinha valor quando derrubada, em cima do caminhão, indo para a serralheria. Hoje a gente reconhece que não. Ela em pé presta uma série de serviços ecológicos, ela melhora a qualidade da água e com isso a gente pretende incentivar o proprietário”, explicou o gerente de Recursos Hídricos do Iema, Robson Monteiro dos Santos.
Folha Vitória

