A implantação da siderúrgica Baosteel em parceria com a Vale no Espírito Santo ainda depende de uma série de condicionantes. O lembrete foi feito pelo vice-governador Ricardo Ferraço após uma exposição no plenário da Assembléia Legislativa do Espírito Santo sobre a visita técnica da comitiva capixaba à empresa em Xangai, na China.
Apesar da siderúrgica não ser uma certeza, Ferraço lembra que até dezembro a Baosteel deverá protocolar o projeto junto aos órgãos competentes para análise das condicioneantes, entre elas as ambientais.
“Tem muita gente achando que isso é um fato consumado e não é. Nós estamos fazendo todo um intercâmbio de informação e conhecimento para conhecermos o projeto. A Baosteel deverá protocolar até dezembro. Aí sim teremos licença prévia, licença de instalação. Para você fazer uma coisa de médio impacto tem que fazer audiências e seguir ritos. Da mesma forma será feito com esse projeto”, afirmou Ferraço. O projeto incial é a construção de uma siderúrgica em Ubu, Anchieta, região Sul do Estado.
Devido à crise financeira internacional, o lucro da Baosteel foi reduzido pela metade no terceiro trimestre. Na semana passada a siderúrgica divulgou os números e também a previsão de prejuízo no final do ano. Ainda assim, o vice-governador avalia que o problema não deve afetar os planos da empresa asiática. “Quando a crise surgiu nós estávamos na China e eu pessoalmente me dirigi a alguns dos diretores da Baosteel se essa crise traria alguma revisão nos investimentos. Foram muito afirmativos ‘o nosso projeto, a decisão de irmos para o Brasil é uma decisão que foi pensada, que foi amadurecida e nós quando tomamos a decisão de um investimento como esse foi pensando no longo prazo'”, conta o vice-governador.
Barragens
Durante a apresentação aos parlamentares, Ferraço foi questionado pelo deputado Cláudio Vereza (PT) acerca da implantação de represas para a instalação do empreendimento. A construção de barragens foi anunciada pelo gerente de infra-estrutura de obras e serviços rurais da Secretaria Estadual de Agricultura (Seag), Edmo Pires, e depois desmentida pelo secretário da pasta, César Colnago.
A mesma posição é mantida por Ferraço. Ele diz que tudo não passou de “um grande equívoco”. “Nós não conhecemos a sua demanda por água, não sabemos a tecnologia que eles vão utilizar. Não seria possível dimensionarmos as represas se nós não conhecemos ainda a demanda por água dessa companhia” disse.
Licenciamento
Para que as obras da siderúrgica, que devem durar três anos, comecem falta o licenciamento ambiental, que deve ser concedido pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). O projeto da usina deve ser apresentado até o final do ano ao órgão. Em seguida vem o pedido de licenciamento, que deve ser feito pela companhia. O pedido deve ser analisado até junho de 2009. Se implementada, a siderúrgica deve gerar cinco mil empregos diretos quando estiver em operação. O investimento é de US$ 3 bilhões.

