Apesar de o consumo dos alimentos básicos, com arroz, feijão e milho, ter crescido mundialmente, a produção não acompanhou esse aumento, o que vem gerando a elevação dos preços. Outros fatores também influenciaram no valor dos alimentos, como a alta do petróleo e, consequentemente, dos fertilizantes, do frete e de outros itens do custo agrícola.
Surge então uma excelente oportunidade para o produtor capixaba, que conta com clima favorável, área disponível e tecnologias fornecidas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para ampliar ou até mesmo iniciar sua produção.
O consumo de milho nos últimos cinco anos registrou um aumento de 10%, enquanto que a produção não acompanhou essa demanda. No Brasil existe atualmente uma média de 14,7 milhões de hectares plantados com milho, nos quais são produzidas 58,4 milhões de toneladas/ano.
O Espírito Santo, nos últimos oito anos, reduziu drasticamente a área plantada de milho de 130 para 40 mil hectares, o que representa uma produção de aproximadamente 95 mil toneladas/ano. Mas a demanda de milho no Estado, que tem em atividades como a avicultura, a suinocultura e a pecuária de leite seus principais consumidores, chega a 460 mil toneladas/ano.
Em relação ao arroz, também houve diminuição significativa da área plantada. Enquanto que na década de 80, impulsionado pelo Programa Nacional de Recuperação de Várzeas Irrigáveis (Provárzeas), existiam 20 mil hectares, hoje o Estado possui apenas três mil. No Brasil, são 2,8 milhões de hectares, que resultam em 12,2 milhões de toneladas/ano.
Alguns dos motivos para a queda dessas atividades agrícolas são os avanços das áreas com culturas de maior expressão financeira e menor risco – a exemplo do café, fruticultura e silvicultura – e a baixa competitividade em relação a outros centros produtores de grãos do País.
Oportunidade
O produtor capixaba pode aproveitar este momento para aumentar a produção e até mesmo diversificar a renda, em função do aumento dos preços dos produtos alimentares. De acordo com o diretor presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Gilmar Dadalto, o Espírito Santo tem clima favorável, novas variedades desenvolvidas pelo Incaper, com tecnologias e áreas disponíveis para produzir alimentos básicos.
“O produtor precisa saber que existe mercado promissor para os diversos ambientes climáticos do Estado e tecnologia disponibilizada pelo Incaper para a produção, principalmente o produtor familiar, que utilizará a própria mão-de-obra, item que mais encarece o custo da produção. Além disso, ele poderá ter a auto-suficiência desses produtos e reduzir as despesas em sua propriedade”, garante Dadalto.
Segundo o coordenador do Programa de Produção de Sementes e Mudas do Incaper, Márcio Adonis, “a colheita das culturas alimentares é realizada poucos meses após o plantio e a produtividade é rentável”.
Para o milho são cinco meses de cultivo, que rendem ao final até seis quilos por hectare. O feijão leva três meses e meio para ser colhido e gera uma produtividade de até 2.000 quilos/ha.
Incentivos à produção
Outro incentivo valioso à produção de milho com qualidade é a nova variedade desenvolvida pelo Incaper, lançada em 2007: a “Capixaba Incaper 203”, resultado de 23 anos de trabalho de pesquisa na Fazenda Experimental de Sooretama/Incaper.
A nova variedade apresenta alta produtividade, boa estabilidade de produção, bom empalhamento de espiga e tolerância às principais doenças foliares e de grãos, à seca e ao acamamento e quebramento de plantas.
Além disso, o custo da semente é aproximadamente 50% menor que o de híbridos de linhagens, as quais podem ser reutilizadas nos próximos plantios.
Outra vantagem do Capixaba são seus grãos duros e de coloração vermelha alaranjada, o que constitui característica relevante à produção de alimentos caseiros e para alimentação de aves, resultando em produção de ovos e carnes mais avermelhadas, as mais apreciadas pelo consumidor.
Além das pesquisas, o Incaper também produz sementes de milho e, neste ano, retomou a produção de sementes de feijão, com o intuito de disponibilizá-las aos produtores interessados em investir nesse mercado.

