O Pão de Açúcar vai lançar hoje um programa de rastreabilidade online de frutas, legumes e verduras. Com ele, o grupo terá informações imediatas sobre origem, quantidade, dimensões e tipos de defensivos usados na produção. A idéia da rede é também tornar públicos esses dados, ferramenta que deverá surgir em uma próxima etapa do programa.
O trabalho de identificação da origem e dados técnicos das cargas de frutas, legumes e verduras começou a ser desenvolvido pelo Pão de Açúcar em 2002. Com ele, o grupo reduziu de mais de mil para os cerca de 700 fornecedores com os quais trabalha atualmente. “Temos que profissionalizar a agricultura. Estamos preocupados em “vender saúde”, e a rastreabilidade atrai um consumidor que tem essa consciência”, diz o diretor comercial Leonardo Miyao.
A diferença entre o trabalho iniciado em 2002 e o que será apresentado hoje é a apuração imediata dos dados. Os produtores terão que preencher os dados no momento do embarque das cargas em direção a um dos sete centros de distribuição da rede espalhados pelo país. Quando conferidas, as cargas são aprovadas, rejeitadas ou motivarão um “alerta” ao produtor que não entregar o produto dentro das especificações exigidas pela rede.
A adoção da rastreabilidade não é, contudo, uma ferramenta para barrar ainda mais produtores da base de fornecedores, afirma Miyao. Segundo ele, um dos resultados obtidos com o trabalho que começou em 2002 foi a redução dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos. A conformidade, que era de 82%, passou a 95%, segundo ele.
Produtores com nível maior de adequação nos diferentes critérios serão “premiados” com compras de volumes maiores pelo grupo, em detrimento dos fornecedores com adequação menor. Isso garantirá a manutenção da base de produtores no nível atual e evitará aumentos de preços com eventual redução do time de produtores, argumenta o diretor.
O controle online das cargas de frutas, verduras e legumes do Pão de Açúcar também vai acelerar o processo de triagem dos produtos, afirma Miyao. O Pão de Açúcar movimenta 2,5 mil toneladas desses produtos por dia. “No Ceagesp, são 8 mil toneladas por dia”, afirma. Além disso, os 700 produtores com os quais a rede trabalha não ficam apenas no Brasil. As compras do grupo são feitas em oito países.
Em 2007, a rede teve faturamento de R$ 17,1 bilhões. O segmento de frutas, legumes e verduras respondeu por R$ 1,1 bilhão. Para este ano, a meta é superar R$ 1,2 bilhão, afirma Miyao.
Valor Econômico

