Produção de inverno de uva é destaque no Estado

por admin_ideale

 


Os produtores de uva do Espírito Santo já colhem os primeiros cachos na época mais fria do ano. De acordo com dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), entre os meses de julho e agosto devem ser colhidos 120 toneladas da fruta, o que representa 20% da produção total do ano. É um momento estratégico para os produtores, que devido a escassez do produto neste período o preço é alto, podendo ser comercializado por até R$ 4,00/kg.


A uva tem representado uma importante alternativa para diversificação da produção dos agricultores familiares do Estado. Além do produto apresentar alta lucratividade, também possui grande valor agregado, já que pode ser aproveitado na forma de uva de mesa ou de processamento, ou seja, para elaboração de vinhos, sucos e derivados. Esta versatilidade viabiliza também o agroturismo nas propriedades rurais, sendo mais uma fonte alternativa de renda para os agricultores.


Além dos 20% da produção, que será colhida neste e no próximo mês, cerca de 60% da fruta deverá ser produzida nos meses de dezembro e janeiro e os 20% restantes são colhidos durante todo o ano.


O extensionista do Incaper de Santa Teresa, Carlos Alberto Sangali, explica que a produção de uva durante todo o ano é resultado das orientações técnicas exercidas pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Incaper junto aos produtores, que foram instruídos a utilizar a tecnologia da poda programada, a qual possibilita colher 120 dias após a poda, independentemente da época do ano.


Dessa forma, os agricultores se organizaram para produzir em diferentes momentos, podendo assim atender o mercado na época da escassez do fruto e obter um preço de mercado mais elevado, com credibilidade junto aos comerciantes da fruta, já que não sofrerão com a falta de mercadoria. 


Produção de uva no Estado


Santa Teresa é o maior produtor capixaba de uva, estando concentrado em seu território aproximadamente 80% da produção estadual. O restante está presente nos municípios de Venda Nova do Imigrante, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, São Roque do Canaã, Mantenópolis e Santa Teresa, formando assim o Pólo de Uva de Mesa e Vinho do Espírito Santo, que faz parte das iniciativas governamentais para fomento da agricultura no Estado, inseridas no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixada (Pedeag).


As ações de fomento à cultura, implementadas pela Seag e pelo Incaper, tem como objetivo desenvolver a produção da cultura no Estado, por meio de avanços tecnológicos, assistência técnica, formação de associações e cooperativas, distribuição de mudas aos produtores e viabilização de crédito rural.


Dessa forma, a área plantada com a cultura no Estado, que hoje corresponde a aproximadamente 50 hectares, pretende ser ampliada para 110 hectares até 2010, e a produção, que em 2007 foi de 600 toneladas, deve chegar a 1300 toneladas.


O coordenador do Programa de Fruticultura do Incaper, Aureliano Nogueira da Costa, aponta alguns motivos para o desenvolvimento da vitinicultura no Estado, como a demanda pela uva de mesa e de processamento, por representar uma forma de diversificação da produção dos agricultores, por ter alta rentabilidade, ocupar pequenas áreas e ter grande produtividade por área, pelo acompanhamento técnico dos produtores e investimento dos mesmos em tecnologias e pela possibilidade de fomento do agroturismo nas propriedades com a comercialização dos produtos a base do fruto. Além disso, o cultivo da uva também é interessante socialmente, uma vez que gera cerca de quatro empregos por hectare.


Um exemplo deste crescimento é o produtor rural de Santa Teresa, Devanir Antônio Ziviani. Considerado referência em tecnologia no cultivo da uva, o agricultor dobrou este ano a área ocupada com a atividade em sua propriedade, que de dois hectares passou a ocupar quatro. Segundo ele, a uva representa atualmente um ótimo negócio, devido aos altos preços da fruta e a demanda de mercado. Segundo o produtor, a vitinicultura rende R$ 70 mil bruto e R$ 40 mil líquido por hectare em sua propriedade.


Devanir produz uva desde 2000, quando resolveu diversificar sua produção de café. Para tanto, participou de uma excursão técnica promovida pelo Incaper a São Paulo para observar as modernas tecnologias de cultivo da uva, recebeu a visita de técnicos do Instituto em sua propriedade para orientação sobre o melhor local para desenvolvimento da cultura, em relação ao tipo de solo, clima, posição do sol, aquisição de material genético, práticas de manejo, entre outros fatores, e seguiu a risca esses direcionamentos. Hoje ele é o maior produtor do Estado.


O Espírito Santo apresenta 65 propriedades envolvidas com a cultura, sendo que, destas, 13 produzem vinhos artesanalmente. A produção total da iguaria no Estado foi de aproximadamente 70 mil litros em 2007.


O Sr. Melício Antônio Motibeller cultiva uvas há 18 anos, sendo o pioneiro do ramo no Estado. Ele, além das 20 toneladas da fruta, produz também cerca de seis mil litros de vinho artesanal por ano, que comercializa na própria propriedade. Melício afirma que esta é uma importante atividade para complementar a renda familiar.

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