Quem participar das atividades dos Dias de Campo do XVIII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (XVIII Conird) terá a oportunidade de conhecer arranjos produtivos que estão dando bons resultados, tanto econômica quanto tecnicamente, viabilizando a agricultura irrigada capixaba. A expectativa é de um dos coordenadores técnicos do Conird no Espírito Santo, engenheiro agrícola e pesquisador do Incaper, José Geraldo Ferreira da Silva.
Os dois dias de campo estão programados para 31/07 e 01/08 (quinta e sexta-feiras) em propriedades localizadas nos municípios de Pinheiros, São Mateus e Sooretama, no norte do Espírito Santo. O XVIII Conird acontece em São Mateus, no auditório do Espaço Univc, de 27 de julho a 1º de agosto. A promoção é da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), em parceria com o Governo do Espírito Santo, a Prefeitura de São Mateus e a Associação de Irrigantes do Espírito Santo (Assipes), com participação e apoio de várias instituições governamentais e da iniciativa privada. Haverá ainda conferências, seminários, oficinas, apresentação de trabalhos e exposição de equipamentos.
Os dias de campo irão abordar temas envolvendo represas e irrigação, agricultura irrigada familiar, irrigação em pastagem, agronegócio da cafeicultura irrigada e opções de culturas consorciadas e agronegócio da fruticultura irrigada. “Haverá técnicas e arranjos produtivos novos. Paradigma que não eram aceitos, hoje está mostrando que funcionam e trazem retorno econômico ao produtor”, afirma José Geraldo.
Atualmente, os produtores capixabas estão usando muito a diversificação agrícola na agricultura irrigada, destacando-se a prática de arranjos produtivos. Primeiro, implanta-se a fruticultura, com uma cultura de ciclo mais curto, como o mamão, por exemplo, e antes de da colheita, o produtor entra com outras culturas para que o terreno não fique parado.
José Geraldo afirma que serão visitados desde parte da cadeia produtiva do mamão até as culturas consorciadas e os arranjos produtivos ligados à fruticultura e cafeicultura que o produtor capixaba está utilizando. “Vamos divulgar o que está sendo feito de uma forma consciente, economicamente viável e ambientalmente correta”.
Conforme adiantou, em Pinheiros será conhecido o sistema de produção em uma área onde primeiro se entra com a lavoura do mamão formosa, e, depois de certo tempo, vem à seringueira, o café e outras culturas.
IRRIGAÇÃO DE PASTAGENS
No dia de campo em Pinheiros, será conhecida também a atividade de produção de leite utilizando pastagem irrigada. Segundo explica José Geraldo, essa tecnologia está ganhando muito espaço em função da estiagem prolongada na região. Especialmente no inverno, as pastagens se degradam, secam e há pouco alimento para gado. “As pastagens irrigadas vêm como alternativa para manter a produção de leite, e de carne, mas principalmente de leite, em um pequeno espaço, utilizando o pastejo rotacionado com irrigação. Além de reduzir mão-de-obra, sobra espaço na propriedade para se utilizar, por exemplo, com reflorestamento ou outra cultura irrigada no lugar da área que estava sendo utilizada com o pasto.”
AGRICULTURA FAMILIAR E BARRAGEM
Ainda em Pinheiros, será visitada uma pequena propriedade onde está implantado o sistema de agricultura irrigada familiar. Em uma área de pouco mais de um alqueire, o produtor desenvolve várias atividades, passando pela horticultura, cafeicultura e fruticultura. “Ele otimizou todo o seu espaço, que está sendo produtivo, usando pouca mão-de-obra, suplementação de chuva com irrigação, tem diversas frentes de trabalho que garantem a renda dele o ano todo”, comenta José Geraldo.
A Barragem de Pinheiros, em construção, também será visitada no dia de campo. A barragem destina-se a reservação de água para abastecimento público e irrigação. Para José Geraldo, trata-se de uma experiência inovadora no Espírito Santo. É importante porque uma única barragem vai atender a diversos produtores, garantirá a perenização do rio e com maior quantidade de água.
“Ambientalmente, é menos impactante do que várias barragens. É mais seguro porque é construída com todos os critérios hidráulicos, de segurança e manejo sob domínio do governo”, comenta.
DIVERSIFICAÇÃO
Na região de Sooretama, serão conhecidos arranjos produtivos envolvendo a cultura do mamão Hawai (papaia). Em São Mateus, será visitada uma propriedade em que se entrou com a lavoura do mamão, em seguida, a cultura da banana, e agora se está entrando com a seringueira e o cupuaçu.
“Então, com arranjos produtivos na agricultura irrigada, o terreno não pára. O solo não fica durante meses totalmente exposto e improdutivo, esperando que aquela cultura se desenvolva. O uso do terreno é intensivo, porém, com um uso correto e um manejo mais adequado e integrado”.

