O município de São Mateus, localizado na região norte do estado do Espírito Santo, está se preparando para receber os participantes do XVIII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem.
De 27 de julho a 01 de agosto de 2008, o XVIII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (XVIII Conird) sobre o tema “O equilíbrio do fluxo hídrico para uma agricultura irrigada sustentável”, será realizado no Estado capixaba e reunirá no município de São Mateus e região pesquisadores, especialistas, estudantes de graduação e pós-graduação, representantes dos governos municipal, estadual e federal, indústrias de equipamentos de irrigação e da cadeia do agronegócio da agricultura irrigada, produtores e dirigentes de suas organizações, que irão debater durante cinco dias sobre o desenvolvimento sustentável do setor. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), em parceria com os governos estadual e municipal, e o apoio de diversas instituições governamentais e da iniciativa privada.
Deficiência hídrica
Para César Colnago, secretário da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca do Espírito Santo, o Estado possui uma deficiência hídrica em boa parte de seu território, o que gera limitação de alternativas de uso agrícola dessas áreas e, em função disso e da perversa irregularidade das chuvas, nos últimos anos vem aumentando o uso da irrigação.
“Nesse sentido, o XVIII Conird representa uma oportunidade histórica de troca de conhecimentos e experiências técnicas e científicas, num momento em que aqui se discute a constituição dos comitês de bacias e a implementação do Programa de Agricultura Sustentável e de Convivência com a Seca, ampliando-se, dessa forma, o fortalecimento de uma política de conscientização sobre o uso racional de nossos recursos hídricos”, afirma ele.
A tecnologia da irrigação movimenta diversos elos da cadeia produtiva do setor agropecuário desde insumos, passando por equipamentos, transporte, armazenagem e, finalmente, comercialização. Além de seus efeitos diretos no aumento da produtividade, gera emprego e renda ao longo do ano, ampliação de oportunidades de negócios, contribuindo decisivamente para a fixação das famílias no meio rural.
A política de Recursos Hídricos no ES
Um dos aspectos relevantes do XVIII Conird é o fato de representar uma oportunidade para informar ao produtor rural sobre instrumentos de gestão de recursos hídricos como a outorga, que traz benefícios ao meio ambiente e ao próprio empreendedor outorgado, que tem a garantia de acesso à água necessária para dar sustentabilidade à sua propriedade rural. Esse é o posicionamento da bióloga Maria da Glória Brito Abaurre, secretária do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo.
Segundo ela, o estado capixaba vem passando por profundas transformações, adentrando em uma nova era de desenvolvimento em que o tema recursos hídricos ganha destaque e tem despontado como um dos assuntos prioritários do governo do Estado. “Nesse sentido, criou-se uma Diretoria de Recursos Hídricos, como parte da estrutura do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), para dar prioridade e maior intensidade nas atividades para a recuperação das bacias hidrográficas capixabas”, afirma ela.
Em busca do entendimento
Segundo Glória Brito, o Estado vem buscando um maior diálogo entre os setores produtivo e ambiental. Buscando facilitar a obtenção da outorga para o produtor rural, a secretária considera que houve avanços, como a possibilidade de se fazer o requerimento necessário nos escritórios regionais do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) e o fato de o Iema fazer a publicação de deferimentos no Diário Oficial do Estado.
“O governo do Estado reconhece o produtor rural não só como um produtor de alimentos, mas também como um potencial ´produtor de águas`. As adoções de boas práticas agrícolas contribuem muito para a melhoria da qualidade hídrica”, afirma ela.
De acordo com esse entendimento, estão sendo buscados mecanismos de incentivo e compensação àqueles usuários que contribuem para essa melhoria com aumento de cobertura florestal e boas técnicas de manejo agrícola. “O pagamento por serviços ambientais é um desafio que iremos experimentar em algumas bacias-piloto no Estado já em 2008”, garante ela.

