O abate de bovinos no País registrou, no primeiro trimestre de 2008, uma queda de 10,1% em relação a igual período do ano passado. É o primeiro resultado negativo no abate observado pelo IBGE num primeiro trimestre, ante igual período de ano anterior, desde 1997. A queda está pressionando os preços do produto, que representou a principal contribuição individual para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor -15 (IPCA-15) em junho.
O item carnes figura também entre os dez produtos com maior impacto na inflação acumulada pelo IPCA em 2008. A expectativa de Octávio Costa de Oliveira, técnico do IBGE responsável pela pesquisa de produção animal divulgada na última quinta-feira, é que a tendência de queda no abate de bovinos não seja revertida em curto prazo.
Com a manutenção dessa tendência e dos problemas internacionais de abastecimento e de aumento da demanda, a perspectiva é que os preços dos bovinos também prossigam pressionados.
Ele explicou que a partir de 2003 teve início um abate excessivo de fêmeas no País, em momento em que os criadores estavam desestimulados pelos baixos preços. O problema é que hoje, mesmo com os preços elevados, o abate de fêmeas prossegue em alta, o que diminui a capacidade de reprodução do rebanho e reduz a oferta de bovinos no mercado.
Enquanto de 1997 a 2002, de todos os bovinos abatidos, 32% eram vacas, o porcentual das vacas chegou a 37% em 2003, saltou para 44% em 2006 e, no primeiro trimestre deste ano, estava em 45%.
Agência Estado

