Pecuaristas querem mais fiscalização e redução do preço da carne ao consumidor

por admin_ideale

 


Apesar da cotação da arroba do boi praticada no pagamento aos produtores do Espírito Santo ser a menor do Brasil esta diferença não está chegando ao bolso do consumidor capixaba. Em outras praças como São Paulo e Rio de Janeiro os valores comercializados em supermercados e açougues são inferiores ou similares aos realizados no estado.


 


Para descobrir os motivos que levam a esta diferença e buscar soluções para o problema é que a Comissão Técnica de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária do ES (Faes), integrada também por outras instituições ligadas ao segmento, preparou um documento que deverá ser entregue nos próximos dias à Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) e às secretarias estaduais da Fazenda (Sefaz) e da Agricultura (Seag).


 


O principal objetivo é que a Procuradoria entre com uma representação no Ministério Público Estadual para a apuração e investigação de toda a cadeia produtiva da carne no estado. Os pecuaristas também reivindicam maior controle sanitário e de corte nos frigoríficos, maior fiscalização nas barreiras e a criação e uso de uma tabela de custos de produção da carne. Hoje as informações para cotação são originárias dos abatedouros.


 


PREJUÍZOS


 


Em início da época de entressafra a cotação do boi gordo no ES hoje é, em média, R$ 74. Há cerca de uma semana, quando o movimento dos pecuaristas começou a tomar força, a arroba do boi era comercializada no estado por R$ 62, em média. O presidente da Faes, Júlio da Silva Rocha Júnior, explica que o aumento da cotação não tem relação com a elevação dos preços ao consumidor, pois há algum tempo o mercado varejista tem experimentado inflação nos preços da carne.


 


“A categoria dos pecuaristas vem se manifestar porque o valor pago ao produtor pelo boi inteiro guarda considerável diferença ao preço pago pelo consumidor, trazendo prejuízos a ambas as partes”, afirma.


 


Segundo o presidente da Associação Capixaba de Criadores de Nelore (ACCN), Nabih Amin El Aouar, em relação a estados como São Paulo há um deságio de 22% na cotação do ES, o que gera uma diferença a menor para o produtor de R$ 360 por cabeça. 


 


Como as cotações praticadas no ES influenciam consideravelmente parte dos estados da Bahia e Minas Gerais, o movimento dos produtores capixabas tem recebido irrestrito apoio de órgãos que representam a categoria dessas regiões.


 


ENTRESSAFRA


 


Os pecuaristas de carne chamam atenção ainda para o período de entressafra do produto que começou este mês e segue até agosto. Nesta época a oferta diminui pela escassez de animais aptos para abate, o que inevitavelmente i gera majoração dos preços em decorrência da lei de oferta e procura.


 

Além disso, Júlio Rocha alerta para a possibilidade da falta de animais a curto prazo. “Os estados concorrentes aproveitam-se dos baixos preços praticados no Espírito Santo e compram bezerros desmamados e bois de recria que nos farão grande falta em futuro próximo”.

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