Minc é o novo ministro do Meio Ambiente

por admin_ideale

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que Carlos Minc vai assumir o Ministério do Meio Ambiente no lugar de Marina Silva. A decisão de Minc de aceitar o convite havia sido confirmada antes pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, da qual é titular.


Pela manhã, Minc havia negado a possibilidade de substituir Marina Silva. No entanto, segundo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), Lula voltou a convidar o secretário para assumir a vaga. Cabral diz que foi o segundo convite feito por Lula a Minc. “Eu não tenho como negar esse pedido do presidente”, afirmou o governador.


De acordo com a assessoria de Minc, ele disse que aceitava o convite em Paris, onde está em viagem de trabalho. A confirmação aconteceu depois de o presidente Lula se reunir no Palácio do Planalto com o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que também era cotado para o cargo. Viana não quis falar sobre o convite nem se havia recusado a oferta de assumir o ministério. O irmão do ex-governador, senador Tião Viana (PT-AC), chegou a dizer que Minc tinha mais perfil para assumir a pasta.


Ativista ambiental, o novo ministro foi líder estudantil, participou da resistência contra a ditadura militar e, em 1969, foi preso e exilado. Voltou ao Brasil em 1979, no período da anistia. Minc foi um dos fundadores do Partido Verde. Nos anos 90 se filiou ao PT. Recebeu, em 1989, o Prêmio Global 500, concedido pela ONU aos que se destacam mundialmente nas lutas em defesa do ambiente.


Marina Silva pediu demissão do cargo na terça-feira em carta enviada a Lula. A atitude da ex-ministra desagradou o presidente, que considerou a forma inadequada, pois teria ocorrido um excesso de divulgação. Na carta, ela reclama da resistência que enfrentou no governo e da falta de sustentação política. “Vossa Excelência é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade”, escreveu. “Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para agenda ambiental”, completou.


Substituição expõe divergência entre ambientalistas e desenvolvimentistas


A escolha de Carlos Minc para o ministério do Maio Ambiente não agradou parte dos parlamentares da base aliada do governo, que defendiam o ex-governador Jorge Viana (PT-AC) para o cargo.


Os parlamentares admitem, nos bastidores, que a indicação de Minc mostra a disposição do governo federal em priorizar o desenvolvimento do País, com a execução de obras que muitas vezes põem em risco o ambiente. Oficialmente, porém, os parlamentares mantêm o discurso de que não há uma disputa dentro do governo entre os ambientalistas e os chamados desenvolvimentistas.


Marina Silva vinha entrando em conflito com outros ministérios, como a Casa Civil e a pasta da Agricultura, em casos e questões que opõem proteção ambiental a interesses econômicos. O mal estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em julho do ano passado, por conta das negociações em torno do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO).


Com Reinhold Stephanes (Agricultura), o desentendimento girava em torno do plantio de cana. Para Marina, o ministro incentiva o plantio em áreas degradadas da Amazônia, Pantanal e mata atlântica. Recentemente, Marina teria ficado descontente com a nomeação de Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) para coordenar o Plano Amazônia Sustentável.


Marina retomará o mandato de senadora para buscar respaldo político às ações ambientais. A declaração consta em carta publicada na página do Instituto Chico Mendes na internet. “Voltarei ao Congresso Nacional na busca da sustentabilidade política fundamental para consolidação da agenda de desenvolvimento sustentável”, afirma na carta endereçada aos servidores do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama, do Instituto Chico Mendes, da Agência Nacional de Águas, do Serviço Florestal Brasileiro e do Jardim Botânico.


Ela cita ainda uma série de ações do Ministério do Meio Ambiente e dos órgãos de apoio que classificou como “resultados gratificantes”. Entre as medidas, estão a criação de 24 milhões de hectares de áreas de conservação e a aprovação da Lei de Gestão de Florestas Públicas.


Lula garante que linha política será mantida


O presidente Lula garantiu ontem que a política ambiental do governo será mantida mesmo com a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. “A companheira Marina se foi, a política ambiental continua. E nós vamos continuar tendo o mesmo cuidado que sempre tivemos”, disse o presidente em entrevista coletiva concedida ao lado da chanceler da Alemanha, Ângela Merkel.


Ele comparou a demissão da ex-ministra com a situação de um pai que é informado pelo filho que vai sair de casa. “Você fica num misto de sofrimento, porque você não quer que o filho saia, e de alegria, porque entende que se tomou essa decisão é o melhor para a sua vida”, afirmou.


Lula reiterou que a Amazônia deve ser tratada e respeitada como soberania nacional e descartou intervenções estrangeiras na região. Mas disse que o governo brasileiro aceita “repartir de forma solidária” os benefícios da região porque os brasileiros não são “trogloditas”. Ele lembrou que para partilhar é necessário haver contrapartida dos interessados com apoio a políticas de desenvolvimento para a região.


Sem querer entrar em detalhes sobre a saída da ministra, alegando que estava na presença de uma autoridade estrangeira, Lula disse que faria uma concessão e trataria do assunto porque Merkel foi ministra do Meio Ambiente. A chanceler da Alemanha elogiou o fato de Lula ter assegurado que a política ambiental será mantida. Segundo Merkel, a ex-ministra “era muito respeitada na comunidade internacional”.


A repercussão internacional


“A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, uma ferrenha defensora da floresta amazônica, renunciou ao cargo. (…) Ativistas e ambientalistas disseram que a renúncia dela é um grande retrocesso para a floresta amazônica no Brasil”.


BBC


“A renomada defensora da floresta tropical Marina Silva renunciou ao cargo de ministra do Meio Ambiente do Brasil, alegando que não tinha o apoio político necessário para proteger a Amazônia. (…) Sua renúncia põe fim a seis meses turbulentos durante os quais ela freqüentemente se debateu com o lobby brasileiro por desenvolvimento na floresta tropical amazônica”.


The New York Times New York Times


“Ambientalista Marina Silva renuncia a cargo no governo. (…) Frank Guggenheim, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, descreveu a ministra como o “anjo da guarda ambiental”, e disse que “o ambiente no Brasil agora está órfão”.


 


Jornal do Comércio

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