Uma nova praga chegou, recentemente às lavouras paulistas de laranja. Trata-se da mosca negra dos citros, um novo desafio para a pesquisa científica do Estado de São Paulo, que está iniciando ações de controle e combate da praga. O Instituto Biológico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que confirmou a ocorrência da mosca, já iniciou atividades no sentido de gerar respostas ao setor produtivo.
O trabalho teve início com a suspeita levantada por um produtor de Arthur Nogueira, na região de Campinas. A praga está presente, também, em Cosmópolis, Engenheiro Coelho e Holambra. Mas dois fungos que agem como inimigos naturais da praga já foram identificados pelo IB-APTA em Artur Nogueira.
De acordo com Adalton Raga, pesquisador do IB-APTA, as condições atuais de temperatura e umidade são ideais para o desenvolvimento da praga e dos fungos entomopatogênicos usados no controle biológico. Ele alerta que o uso de agroquímicos no combate à mosca poderá desequilibrar o ambiente, desenvolvendo resistência por parte da praga e reduzindo os inimigos naturais.
Segundo Raga, há um único produto químico para combater a mosca, que já é usado para controlar outras pragas da citricultura. Ele avalia que deverá ocorrer aumento nas aplicações de inseticidas nos municípios afetados pela mosca-negra.
Na pesquisa, o primeiro passo é fazer o mapeamento geográfico da ocorrência da praga. Essa ação requer investimentos em recursos humanos e materiais. Está sendo elaborado o projeto de pesquisa para captação de recursos junto a agências de fomento. “O governo precisa dessas informações para repassar a produtores e compradores de outros estados e até de outros países”, explica o pesquisador.
Medidas
No Instituto Biológico, o trabalho é orientado no sentido de investir no controle biológico da praga, por meio do levantamento da ocorrência natural de fungos entomopatogênicos e também de insetos que controlam a mosca, chamados parasitóides.
A próxima etapa envolverá multiplicação do material e teste-piloto em campo. Raga explica que alguns fungos são de difícil multiplicação, por isso não é possível antecipar em quanto tempo se chegará a esse resultado. “Em geral, quando uma nova praga chega, não há no local inimigos naturais específicos”, diz. Outra fase envolverá a definição de doses de aplicação dos fungos. O pesquisador explica que a elaboração envolve aspectos de formulação, concentração e viabilidade para se chegar à indicação da dose.
Na avaliação do pesquisador, os produtores devem se informar para reduzir impacto da nova praga. A orientação principal é o monitoramento do pomar para observar se há ocorrência da mosca negra. Deve-se, também, lavar os equipamentos usados na colheita, como caixas plásticas e veículos, que podem levar a mosca de uma região para outra.
Como a mosca hospeda-se em outras frutíferas e também em plantas ornamentais, Raga recomenda que o produtor que ainda não tem a praga na propriedade evite a entrada de plantas sem origem definida na área. Ele ressalta a importância da informação e da instrução para os agricultores, considerando que todos devem cuidar para evitar a presença da mosca negra e minimizar efeitos.
Jornal de Brasilia

