O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Marcus Pratini de Morais, refutou as declarações do ministro Reinhold Stephanes de que frigoríficos brasileiros estariam exportando carne não-rastreada para o mercado europeu.
“Toda carne exportada é rastreada, e a Abiec responde por 85% a 90% desses negócios. Se há frigoríficos que vendem carne não-rastreada, não é um problema nosso. Ao falar isso, o ministro coloca o dedo no problema porque o trabalho do Ministério da Agricultura é fiscalizar e inspecionar”, afirmou Pratini de Morais, ministro da agricultura entre 1999 e 2002.
Pratini também contestou a avaliação feita por Stephanes de que as negociações sobre rastreabilidade com a UE em 2000 foram ruins para o setor.
“A decisão de adotar a rastreabilidade não foi influenciada por pressão. Fui lá e negociei as regras considerando o interesse brasileiro. De lá para cá, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de carne”, disse.
Stephanes e Pratini concordam em um aspecto: o embargo estaria sendo motivado por questões econômicas como resultado da pressão dos pecuaristas da Europa, que temem perder mercado diante do baixo custo da carne brasileira.
“A questão não é de regras de rastreabilidade. A questão é que o Brasil oferta carne de qualidade, com sanidade e está sendo objeto de punição por ser competitivo”, disse.
O sistema de rastreabilidade começou a ser implantado no Brasil em 2000. O controle da sanidade do rebanho é feito por meio de um brinco colocado em cada animal, dispositivo que reúne informações sobre vacinação e alimentação desde o nascimento ao abate.
Até 2007, o controle por parte de cada propriedade podia ser parcial, com permissão da “brincagem” de parte do gado e com tolerância para a coleta de dados até o décimo mês após o nascimento do bezerro.
As regras se tornaram mais rigorosas a partir de 1º de janeiro deste ano, quando a exigência para rastreabilidade passou a abranger todo o rebanho das propriedades, com registro dos dados a partir do nascimento.
Folha de São Paulo

