Bloqueio da UE pode gerar ´efeito dominó´

por admin_ideale

 


A suspensão das compras de carne bovina brasileira pela União Européia (UE), anunciada na semana passada, já começou a inquietar outros grandes importadores do produto do país.


A Rússia, segundo maior comprador mundial desse tipo de carne, fez uma consulta formal ao governo brasileiro no fim de dezembro e, na semana passada, voltou a expressar sua preocupação com o sistema de rastreamento do gado (Sisbov), principal ponto de divergência entre o Brasil e a UE.


De maneira informal, autoridades sanitárias do Chile e do Egito, outros dois dos maiores importadores de carne bovina, também fizeram chegar ao governo brasileiro temores em relação à disputa com a UE, cujos padrões sanitários influenciam diversos países fora do bloco.


Nos bastidores do Ministério da Agricultura, o caso da Rússia desperta mais apreensão. Primeiro, porque os russos compraram 29% de toda a carne bovina vendida ao exterior em 2007 – o equivalente a US$ 1 bilhão. Depois, porque uma missão veterinária russa visitará o Brasil a partir do dia 25 justamente para iniciar o complexo processo de habilitação de frigoríficos para a exportação de carnes bovina e suína.


Por fim, a preocupação também se justificaria pela presença do chefe do Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitossanitário da Rússia, Sergei Dankvert, que confirmou visita ao ministro Reinhold Stephanes no fim deste mês. Os russos solicitaram informações sobre a lista de propriedades aprovadas pelo Sisbov. O governo brasileiro enviou a relação completa de quase 11 mil fazendas habilitadas a exportar carne bovina.


No caso do Chile, está prevista a visita de uma missão veterinária para iniciar a reabilitação de frigoríficos exportadores. Os chilenos têm resistido a retomar as compras de carne bovina brasileira desde o embargo imposto após a ocorrência de um foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em outubro de 2005. Os exportadores brasileiros de carne pressionam o governo a estabelecer sanções contra produtos chilenos como salmão e vinhos.


“O sentimento não é de preocupação, mas de curiosidade”, resume uma fonte do governo. “Quem não pratica a rastreabilidade não pode exigir reciprocidade porque tem que mostrar como faz internamente. Do contrário, é barreira comercial. Parece que a Rússia, que está aperfeiçoando seu processos, tem curiosidade sobre o Sisbov”.


Na frente de disputa com a UE, o governo acredita ter costurado um caminho de negociação com a drástica redução da lista de fazendas aprovadas pelo Sisbov. Em conversas de bastidores, autoridades da UE e do Brasil concordaram com a necessidade de reduzir o universo de fazendas para manter a negociação aberta.


Assim, seria escolhido uma via alternativa entre a proposta européia de limitar a exportação a 300 fazendas e a intenção do Brasil de começar o diálogo com as 2.681 propriedades inicialmente listadas. “Se eles decidirem auditar uma amostra de 10% das 700 fazendas da nova lista, seria possível fazer o trabalho com duas equipes em duas semanas”, ponderou uma fonte do governo.


Mas se o Brasil insistisse nas 2.681 fazendas, a UE não teria “condições políticas internas” para aceitar o que estava sendo considerado uma “imposição” das autoridades brasileiras.


Para colocar mais pressão diplomática sobre a UE, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou ontem (dia 7), em Madri (Espanha), a suspensão das compras e alertou para possíveis prejuízos nas relações comerciais bilaterais. “É um embargo sem fundamento, nem sentido, nem lógica. É um desestímulo para futuras negociações”, disse.


O Itamaraty estuda brechas legais para questionar a decisão européia na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Independente de se houve erro ou acerto não faz sentido restringir, a priori, o número de fazendas a 300. Não há argumento para sustentar esse número. É uma questão de protecionismo”, afirmou o chanceler.


Valor Econômico

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