PIB espetacular

por admin_ideale


 


A economia brasileira surpreendeu no terceiro trimestre deste ano ao registrar crescimento acima do esperado pelo governo e por todo o mercado financeiro. Quando comparado ao resultado de julho e setembro de 2006, o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo país, avançou 5,7%, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2004, que foi de 7,8%. Frente aos três meses imediatamente anteriores, o PIB cresceu 1,7%. Nos nove primeiros meses do ano, a alta acumulada é de 5,3%. “Foi um PIB cheio de surpresas”, afirmou a economista Giovanna Rocca, do Unibanco. Surpresas, por sinal, que fizeram o presidente Lula vibrar, ao garantir a assessores que o prometido “espetáculo do crescimento finalmente havia chegado, e para ficar”.


 


Em todas as análises, o grande diferencial do PIB foi atribuído ao setor agrícola. A expectativa era de que a contribuição do campo para o crescimento da economia seria tímida, como foi verificada nos dois primeiros trimestres do ano. Mas, ao contrário do esperado, a agropecuária computou incremento de 9,2% ante o terceiro trimestre de 2006 e de 9,2% em relação a abril e junho. “Sem dúvidas, o resultado do campo foi vital para que o PIB crescesse tanto”, disse Cláudia Dionísio, economista da Gerência de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os maiores destaques da AGRICULTURA foram a cana-de-açúcar e o trigo, cuja produção aumentou 13,1% e 59,3%, respectivamente. Também influenciaram as SAFRAS da soja e de milho, agora com pesos maiores nas contas do PIB.


 


Segundo Tomás Goulart, economista da Modal Asset Management, o melhor desempenho da AGRICULTURA só veio comprovar o dinamismo atual da economia. “Em todos os setores, os números são expressivos”, afirmou. Do lado da oferta, a indústria computou incremento de 5% quando comparada a julho e setembro de 2006, puxada pela produção de automóveis, químicos e máquinas e equipamentos. Na construção civil, também a alta foi de 5%, embalada pela elevação de 5,8% no número de pessoal ocupado e de 22,7% nos financiamentos imobiliários. A área de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana avançou 3,8%. Já a indústria extrativa mineral ampliou a produção em 2%, resultado contido pela paralisação de algumas das plataformas da Petrobras para manutenção.


 


No setor de serviços, o incremento foi de 4,8%, graças, sobretudo, ao espetacular resultado do sistema financeiro (crescimento de 13,3%), dos serviços de informação (+8,6%) e do comércio varejista, com taxa positiva de 7,4%. “Qualquer que seja o número analisado, o que se vê é uma economia caminhando a passos largos, graças a uma política econômica responsável, que privilegia o controle da inflação”, afirmou Nuno Câmara, economista do Dresdner Bank em Nova York. “Se a estrutura da economia se mantiver intacta e o governo cortar o excesso de gastos, pode-se garantir que o ciclo de crescimento será duradouro”, acrescentou Vitória Saddi, economista do RGE Monitor.


 


Ela chamou a atenção para o fato de que, finalmente, o Brasil está registrando taxas de crescimento acima de 5%, acompanhando a média mundial e se aproximando das demais economias emergentes. Levantamento de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Asis, reforça esse quadro. De 36 países analisados pela instituição, comparando os resultados do PIB no terceiro trimestre, o Brasil fica na 11ª posição, com crescimento de 5,7%, superando a Coréia do Sul, com taxa de 5,2%, e todos os países desenvolvidos. A economia dos Estados Unidos cresceu 2,8%. A da França, 2,1%.


O mais interessante, na opinião do economista Fernando Gaiger Silveira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que o avanço do PIB está sendo sustentado pelo forte aumento do consumo das famílias, que têm se beneficiado da elevação da renda e da maior oferta de crédito, e pelo volume maior de investimentos produtivos. Entre julho e setembro, o consumo das famílias computou o melhor resultado em 10 anos – 6% de aumento. No mesmo período, os investimentos foram ampliados em 14,4%, a maior taxa trimestral desde 1996, quando o IBGE passou a fazer esse tipo de levantamento.


 


Investimento é recorde


 


A taxa de investimento do país foi de 18,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, o maior patamar para o período desde 1996. Na comparação com julho, agosto e setembro de 2006, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expansão chegou a 14,4% – também a maior desde 1996. O crescimento do investimento, que foi quase três vezes superior ao do PIB, se deve ao aumento da produção e da importação de máquinas.


 


O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Armando Castelar ressalta que permanece a preocupação de que o ritmo do investimento não sejaa compatível com o avanço da demanda. “Talvez o crescimento tivesse que ser um pouco menor para conseguir acomodar o consumo, sem causar pressões inflacionárias”, afirma Castelar. Neste momento, a remarcação de preços está sendo contida pela expansão das importações e pela valorização do real frente ao dólar. O economista da LCA Braúlio Borges destaca que a taxa de investimento apresentou um considerável aumento, mas o valor é coerente com a expansão de até 4,7% e não de 5,7% apurados no terceiro trimestre deste ano. (Edna Simão)


 


5% já é consenso


 


Surpresos com o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, os especialistas trataram de rever para cima as projeções de crescimento para a economia neste ano e firmaram consenso de que o aumento será superior a 5%. Para Giovanna Rocca, economista do Unibanco, em vez de 4,5%, o PIB crescerá 5,4% em 2007. “Estamos prevendo um quarto trimestre tão forte quanto o terceiro”, afirmou. Nos cálculos de Tomás Goulart, da Modal Asset Management, o avanço da economia será de 5,2% ante os 4,7% estimados até anteontem. “Acreditamos, inclusive, que também o crescimento do PIB em 2008 será maior. Nossa estimativa passou de 4,3% para 4,7%”, assinalou.


 


Segundo Vitória Saddi,do RGE Monitor, o PIB deste ano terá incremento de 5,2% ante os 5% das projeções anteriores. “Estamos convencidos de que o Brasil puxará a economia da América Latina”, afirmou. Nuno Câmara, do Dresdner Bank, estima que o salto do PIB será de 5,1%. “Em relação ao ano que vem, mantivemos a projeção em 4,4%, devido às incertezas que envolvem a economia dos Estados Unidos”, frisou. (VN)


 


 


Correio Braziliense

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