Preocupado com os efeitos inflacionários nos preços dos alimentos, o Congresso americano estuda limitar a produção de álcool de milho a 15 bilhões de galões por ano, ou 56,77 bilhões de litros.
Atualmente, o País produz cerca de 18 bilhões de litros de álcool de milho. Em palestra realizada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em São Paulo, o embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel, disse que o País deve substituir cerca de 15% do consumo de gasolina por álcool até 2022, o que demandaria 36 bilhões de galões, ou 136 bilhões de litros. Se todo este volume fosse produzido a partir do milho, a área plantada nos Estados Unidos teria que triplicar, nos cálculos de Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), outro palestrante do dia.
Para evitar uma forte alta dos preços do milho, que se estenderia para segmentos altamente dependentes deste insumo, como a pecuária, o Governo americano está investindo pesadamente em novas tecnologias de produção de álcool, em especial o derivado de celulose. Há atualmente seis usinas experimentais de álcool de celulose nos EUA produzindo 80 milhões de litros/ano. De acordo com o embaixador, US$ 18 bilhões já foram investidos em pesquisas de novas fontes de energia (não apenas álcool) e mais US$ 9 bilhões serão alocados em 2008. “O álcool é algo que veio para ficar. Os Estados Unidos vão investir na pesquisa e na produção, independente dos preços do petróleo”, afirmou.
Ele considera que os grandes gargalos enfrentados pelo mercado americano hoje, como a falta de infra-estrutura para distribuição, serão solucionados ao longo do tempo. “Vai levar algum tempo para termos um mercado organizado”, disse, referindo-se não só aos Estados Unidos, mas a outros países.
Em sua palestra na BM&F, que fez parte dos eventos relacionados à Semana do Açúcar realizada em São Paulo, Marcos Jank, da Unica, elogiou a parceria entre Brasil e Estados Unidos na pesquisa de novas fontes de álcool, mas destacou que a próxima lei agrícola americana, a Farm Bill, preocupa os produtores brasileiros. A atual proposta da lei, que está sendo analisada pelo Congresso desde julho, estende a vigência da tarifa sobre as importações de álcool (de US$ 0,54 por galão) até 2010, elimina as vantagens fiscais que as empresas têm hoje para reduzir o custo de importação do álcool, além de estender até 2012 o subsídio de US$ 0,10 concedido aos pequenos produtores. “Só a tarifa de importação custou ao Brasil cerca de US$ 250 milhões em 2006”, disse o presidente da Unica.
A Unica, aliás, inaugura ainda neste mês um escritório em Washington para tratar das questões do etanol. Segundo Jank, o escritório trabalhará para atrair investimentos para a produção de álcool no Brasil, além de esforços para derrubar barreiras à entrada do produto no mercado americano, entre outros objetivos. Outros escritórios serão instalados na Ásia e na Europa com propostas similares.
Correio do Estado – MS

