Mudou o perfil de produção da economia brasileira, com maior participação do agronegócio e da indústria extrativa em relação à indústria de transformação, que está produzindo itens cada vez mais sofisticados.
Isso é o que vai mostrar o novo Índice de Preços por Atacado (IPA), o termômetro da inflação do setor produtivo que é apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No novo indicador, que passa a ser calculado a partir de janeiro de 2008, o peso dos produtos agropecuários será de 27,89%, quase três pontos percentuais maior em relação à estrutura atual (25,32%).
“De 1985 para cá, o agronegócio andou mais rápido que a indústria”, diz o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Segundo ele, o novo IPA será mais sensível às oscilações de preço da soja do que às do petróleo. A soja em grão passou a ser o maior item, respondendo por 5,38% do novo indicador, e desbancou a liderança do óleo diesel que, na configuração atual, pesa menos de 5%.
IGP é utilizado para indexar contratos
O IPA é o indicador que responde pela maior parte (60%) da inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). O IGP é o indicador usado pelo mercado financeiro e também para indexar vários tipos de contratos.
“O ganho de peso da soja é coerente com o que houve nos últimos 20 anos e retrata o bom momento do agronegócio”, afirma o secretário executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fabio Trigueirinho.
Na safra 1985/86, o Brasil produzia 13,2 milhões de toneladas de soja e, em 20 anos, a produção foi multiplicada por quatro. Na safra 2006/07, o país colheu 58,3 milhões toneladas.
Diário Catarinense

