Desafios e oportunidades para a exportação do cacau

por Portal Campo Vivo

CNA realizou um workshop setorial do Projeto Agro.BR para debater o tema

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Sistema FAEB/Senar, realizou, na quarta (30), um workshop setorial do Projeto Agro.BR para debater os desafios e as oportunidades para a exportação do cacau.

O evento contou com o apoio da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/BA) e com a participação de empresários rurais e especialistas para acesso a novos mercados.

Na abertura do encontro, o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), Guilherme Moura, afirmou que o objetivo da iniciativa é aproximar o produtor rural brasileiro do comércio exterior, proporcionando melhoria da rentabilidade do seu negócio.

“A gente sabe que se os requisitos forem cumpridos, a exportação se viabiliza. O nosso papel é auxiliar os produtores a colocarem seus produtos em nichos de mercados”.

O workshop setorial foi moderado pelo consultor do Agro.BR na Bahia, Roberto Vianna, e dividido em dois paineis. O primeiro tratou sobre o cenário do comércio internacional, análises e perfil do cacau brasileiro, além de estratégias de mercado e comercialização do cacau fino.

O consultor em Cadeias Produtivas e Data Science, Lucas Rasi, apresentou um estudo sobre a produção do cacau no mundo. “A oferta de cacau no mundo é relativamente limitada. É uma fruta que não é produzida em qualquer país, pois exige condições climáticas específicas. E 80% do cacau produzido no mundo vêm de países africanos, sendo Costa do Marfim e Gana os principais produtores”.

Segundo Rasi, quase metade do cacau mundial é processada no próprio local de produção. “Os países africanos têm aumentado o processamento e a industrialização do cacau no seu local de origem. Ao invés da fruta, eles exportam a manteiga, a massa e isso agrega valor à produção”.

O diretor científico do Centro de Inovação do Cacau, Cristiano Villela Dias, disse que o mercado de manteiga tem crescido no mundo inteiro, tanto no ramo alimentício quanto no cosmético. Entretanto, há grandes oportunidades de negócios para o chocolate fino de origem.

“No Brasil, as demandas do mercado doméstico quase impedem a exportação de cacau básico (bulk). Para alcançar o mercado internacional, precisamos qualificar o produtor sobre o que é cacau fino de alto padrão e qualidade e qual se enquadra nas classificações internacionais. É uma construção de imagem do Brasil”.

Ainda no primeiro painel, o CEO da Dengo Chocolates, Estevan Sartoreli, afirmou que o produtor de cacau brasileiro vem sofrendo achatamento ao longo dos anos. “Na década de 80, o produtor tinha participação de 16% no valor gerado na cadeia. Hoje, a depender do mercado, é de 3 a 6% de valor agregado”.

Sartoreli também destacou a importância de se produzir um cacau de qualidade. “O custo de produção de um cacau fino/premium é cerca de 10% a 20% sobre o preço da commodity, dependendo do período do ano na Bahia”.

Já no segundo painel, o coordenador do Senar/Bahia, Aloisio Junior, apresentou o programa Pro-Senar Cacau, que tem por objetivo melhorar a produtividade e a rentabilidade do negócio rural, promovendo a formação profissional do produtor e difundindo tecnologias, por meio da Assistência Técnica e Gerencial.

“Nós trabalhamos com áreas demonstrativas para que o produtor assuma um compromisso de implantar as tecnologias e manejo recomendados. Existem alguns desafios, como estiagem, mão de obra especializada, gestão da propriedade, beneficiamento, recursos financeiros, áreas degradadas ou com erros de implantação e até tempo para obter resultados após renovação”, explicou Aloisio.

Em sua exposição, a gerente do Sebrae Ilhéus, Claudiana Figueiredo, mostrou aos participantes algumas preparações que a entidade oferece para a certificação do cacau. Uma delas é a adequação à norma Rainforest Aliance para agricultura sustentável (código de conduta e cadeia de custódia). Há também a adequação à  regulamentação da produção orgânica no Brasil e a adequação para certificação de produção integrada da cadeia agrícola e boas práticas na produção agrícola.

O executivo da Associação Cacau Sul da Bahia, Cristiano Santana, falou sobre o apoio às exportações no âmbito do Agro.BR. “Hoje temos 15 cooperativas associadas em 9 municípios da região Sul da Bahia. Quando surgiu o projeto Agro.BR, levamos para os membros e conseguimos que cinco deles aderissem ao projeto. É um grande trabalho de organização da cadeia”.

Durante o segundo painel, a gerente de Comércio Exterior da FIEB, Patrícia Orrico, informou as próximas ações da entidade com relação à promoção comercial, acesso a mercado e capacitações. “Nosso foco é na melhoria da empresa, da sua competitividade na esfera internacional. Para isso, trabalhamos com a promoção de negócios em feiras nacionais e internacionais, missões prospectivas e comercias e rodadas de negócios”.

Por fim, a coordenadora de Exportação da CNA, Camila Sande, fez uma apresentação sobre o projeto Agro.BR. “É resultado de um convênio entre a CNA e Apex-Brasil voltado à internacionalização do agro brasileiro. A iniciativa auxilia o empresário do setor, viabilizando negócios internacionais para aumentar a presença de pequenos e médios produtores no comércio exterior, além de diversificar a pauta de exportação brasileira”, disse.

De acordo com Sande, as cadeias e produtos prioritários do projeto são: cafés especiais, lácteos, mel e derivados, pescados e aquicultura, flores, frutas, vegetais e castanhas. Dentre as principais ações estão seminários virtuais, rodadas de negócios, vitrine virtual e portfólio digital, em inglês e mandarim, para distribuição para compradores internacionais.

CNA

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