Tarifaço agita mercado em meio a estoques mínimos e clima incerto, aponta Boletim Carvalhaes

Exportações seguem em queda, armazéns esvaziados e riscos climáticos persistentes

por Portal Campo Vivo
Foto: Freepik

Na semana passada, enquanto o mercado aguardava a alteração pelo governo americano nas alíquotas do “tarifaço” imposto pelo presidente Trump, as cotações do café na ICE Futures US, em Nova York, e na ICE Europe, em Londres, tiveram forte oscilação.

No final da tarde da sexta (14) ainda haviam notícias e informações contraditórias sobre o alcance e teor do decreto assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, alterando as taxas impostas pelo “tarifaço”. A dúvida sobre o alcance da medida só foi desfeita pouco antes das 21h (horário de Brasília) pelo governo americano. A informação foi transmitida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) aos ministérios envolvidos nas negociações e a integrantes do governo brasileiro (informações apuradas por Estadão/Broadcast).

O decreto assinado retira a tarifa básica de 10% sobre importações de produtos agropecuários como carne bovina, banana, café e tomate. O Brasil segue sujeito a sobretaxa de 40%, imposta por Trump em 30 de julho último. O presidente americano disse acreditar que não serão necessárias novas reduções de alíquotas.

“Em nossa opinião, a manutenção do tarifaço de 40% sobre a compra de nossos cafés pelas indústrias e importadores americanos é fortemente prejudicial, e temos de continuar negociando”, destacou o Escritório Carvalhaes, no boletim semanal. “Os demais fundamentos de mercado continuarão os mesmos: as incertezas climáticas, nos principais países produtores e os baixos estoques globais, com o Brasil sem estoques remanescentes e tendo colhido em 2025 uma safra menor do que a projetada inicialmente, frustrando os cálculos e análises do mercado internacional”, escreveu no informativo, alegando também o possível impacto climático na produção cafeeira brasileira de 2026.

As exportações brasileiras de café somaram 4,141 milhões de sacas de 60 kg em outubro, queda de 20% em relação às 5,176 milhões embarcadas no mesmo mês de 2024. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano safra 2025/2026 (julho, agosto, setembro e outubro) o desempenho é semelhante, com queda de 20,3% frente ao mesmo intervalo de 2024, para 13,846 milhões de sacas. Em 2025, de janeiro até o fim de outubro, o Brasil exportou 33,279 milhões de sacas, queda de 20,3% ante as 41,769 milhões colocadas a bordo nos primeiros dez meses de 2024, ano em que batemos nosso recorde histórico de volume exportado. Foram 8,450 milhões de sacas a menos nestes dez primeiros meses de 2025 (fonte: Cecafé).

“Chama a nossa atenção que, mesmo exportando volumes sensivelmente menores nos dez primeiros meses de 2025, terminamos o ano safra 2024/2025 com nossos armazéns praticamente vazios, com o menor estoque de passagem em muitos anos, certamente o menor dos últimos 25 anos”, destacou a publicação.

Contratos de arábica

Segundo o informativo, na sexta (14), os contratos de arábica com vencimento em dezembro próximo na ICE Futures US oscilaram 1.295 pontos entre a máxima e a mínima. Bateram US$ 4,0295 na máxima do dia, em alta de 125 pontos. Na quinta (13), caíram 195 pontos (0,48%) e, na quarta (12), recuaram 1.905 pontos (4,51%). Em 2025, até o fechamento desta sexta (14), estes contratos para dezembro próximo somam alta de 11.045 pontos (38,18%).

Contratos de robusta

Ainda de acordo com o boletim, na ICE Europe, os contratos para janeiro próximo bateram, na máxima da sexta (14), US$ 4.355 por tonelada – alta de US$ 12. Fecharam o pregão valendo US$ 4.223, com perdas de US$ 23. Na quinta (13), recuaram US$ 23 e, na quarta (12), US$ 252. Esses contratos para janeiro próximo subiram, no último mês de outubro, US$ 354 (8,46%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para dezembro próximo na ICE Futures US encerraram a sexta (14) valendo R$ 2.801,35, diz o boletim. Terminaram a sexta anterior (7) valendo R$ 2.878,44, e a sexta anterior a ela (31), R$ 2.790,09. 

Mercado físico

Segundo o Boletim Carvalhaes, no mercado físico brasileiro, com o forte “sobe e desce” diário das cotações em Nova York e Londres, as bases de preços dos compradores flutuaram no dia a dia. Na sexta (14) permaneceram praticamente estáveis em relação à quinta (13), em mais um dia de mercado travado. Saíram negócios diariamente, principalmente nos dias de alta nas bolsas. O volume de vendas continua abaixo do usual para esta época do ano. As fortes e rápidas oscilações nos contratos de arábica e robusta dificultam a formação de preços e o fechamento de um volume maior de negócios. Há interesse comprador para todos os padrões de café.

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Embarques

Até o dia 13, os embarques de novembro estavam em 1.023.332 sacas de arábica, 82.097 sacas de conilon, mais 62.906 sacas de solúvel, totalizando 1.168.335 sacas embarcadas, contra 927.300 sacas no mesmo dia de outubro. 

Até o mesmo dia 13, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em novembro totalizavam 1.626.712 sacas, contra 1.368.822 sacas no mesmo dia do mês anterior.

Publicado por Escritório Carvalhaes, fonte CaféPoint

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