A possibilidade da entrada de café conilon do Vietnã no Brasil, preocupou produtores do Espírito Santo no início de 2017. Na tentativa de chamar a atenção do governo para não autorizar a exportação, cafeicultores realizaram uma manifestação em diferentes pontos do estado. A exportação de conilon foi solicitada pela indústria de café do Brasil, alegando que faltava café no mercado interno. Isso provocou reação negativa no mercado, reduzindo o preço da saca de café.
Os produtores estavam preocupados com os riscos fitossanitários que seriam causados às lavouras brasileiras, caso a exportação fosse autorizada pelo governo, além da desvalorização do produto brasileiro que estava estocado pelos produtores. A Câmara de Comércio Exterior chegou a autorizar a entrada de café do Vietnã no Brasil, mas nenhuma empresa fez a compra de café daquele país.
O ano de 2017 também foi de recuperação nas lavouras de café conilon. Nos últimos anos, a seca prejudicou a produtividade e o desenvolvimento dos grãos. Neste ano, a safra de conilon ficou em 5,91 milhões de sacas, registrando crescimento de 17% em relação a 2016. Já o café conilon registrou queda de 25% na safra de 2017, devido à seca no sul do estado e a bienalidade comum na cultura.
A expectativa de safra é boa para o próximo ano, mas as condições climáticas dos meses de janeiro, fevereiro e março é que vão definir a quantidade a ser colhida.
“A gente já observa o desenvolvimento dos grãos nos pés de café, mas o que vai determinar a safra é o que vai acontecer nos próximos meses, que é o período em que a planta mais precisa de água. Se continuar chovendo nós vamos ter uma recuperação boa na safra”, disse o coordenador do programa de cafeicultura do Incaper, Romário Ferrão.
O Incaper e a Seag lançaram duas novas variedades de café conilon, para que o produtor consiga manter a produtividade em períodos de seca. A nova cultivar ‘Marilândia ES81143’ e o Jardim Clonal Superadensado de Café Conilon foram apresentados para os produtores no mês de novembro.
O ano de 2017 também foi de reconhecimento para a cafeicultura capixaba. O café produzido por Henrique Slopes, da Fazenda Camocim, em Domingos Martins, região serrana do Espírito Santo, foi eleito o melhor café do Brasil pelo Cup of Excellence – Brazil 2017, principal concurso de qualidade para cafés especiais do país. O produtor venceu a categoria “Naturals”, destinada aos cafés secos com casca com 93,60 pontos.
Redação Campo Vivo

