
As chuvas que atingem as principais regiões produtoras de Minas Gerais estão interferindo diretamente na colheita do café arábica. Além de atrasar os trabalhos no campo, o excesso de umidade aumenta o risco de queda dos frutos, fermentação e perda de qualidade, reduzindo o volume de cafés de melhor padrão.
Em um mercado que há anos reage primeiro à especulação e só depois aos fatos, é fundamental separar o sentimento do mercado da realidade da lavoura. A cada nova previsão climática ou relato de campo, a volatilidade ganha força e os preços podem oscilar de forma significativa.
O produtor deve acompanhar atentamente a Bolsa de Londres, mas, neste momento, é Nova York que tende a ditar o ritmo do mercado. Afinal, qualquer confirmação de perdas na qualidade ou redução da oferta de cafés especiais e finos em Minas Gerais pode provocar uma reprecificação dos contratos de arábica.
Mais do que tentar adivinhar a direção do mercado, este é o momento de agir com estratégia. A volatilidade não deve ser encarada como um risco, mas como uma oportunidade para realizar vendas de forma planejada, utilizando ferramentas de gestão de preço e protegendo a rentabilidade da safra. Quem negocia baseado em estratégia tende a capturar melhores oportunidades do que quem negocia movido pelo medo ou pela euforia.





Rafael Teixeira
Diretor comercial da Prime Café
A Campo Vivo não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos

