
A queda nas cotações do café, a pressão sobre os preços dos fertilizantes e combustíveis e a perspectiva de juros ainda elevados aumentam a necessidade de planejamento financeiro no agronegócio. Com custos sujeitos a oscilações e incertezas sobre a receita da produção, produtores rurais precisam avaliar com atenção os investimentos e as alternativas de financiamento para a safra 2026/2027.
Os preços do café recuaram em setembro, pressionados pela maior oferta brasileira e pelas perspectivas para a próxima safra. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), as chuvas registradas no início do mês favoreceram o desenvolvimento das floradas em algumas regiões produtoras, contribuindo para a queda das cotações do arábica e do robusta. As condições climáticas continuam entre os fatores que influenciam o comportamento do mercado.
Os custos de produção também exigem atenção. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que as tensões no Oriente Médio provocaram aumentos nos preços dos fertilizantes. A entidade também alerta para os reflexos do conflito sobre os combustíveis, especialmente o diesel, utilizado no transporte e na operação de máquinas agrícolas. O encarecimento dos insumos, sem valorização equivalente dos produtos agropecuários, pode comprometer a rentabilidade das propriedades.
Para o diretor de Operações do Sicoob Central ES, Alecsandro Casassi, esse conjunto de fatores, somado a um ambiente de crédito ainda marcado por juros elevados, com a projeção de inflação subindo pela quarta semana consecutiva e a taxa básica de juros ainda alta, exige que os produtores contratem seus recursos atrelados a um atendimento consultivo.
“Em momentos de maior oscilação dos custos e dos preços de venda, o planejamento faz ainda mais diferença. O produtor precisa conhecer suas despesas, estimar a receita e identificar quais investimentos podem melhorar a eficiência do negócio. O crédito rural é uma ferramenta importante, mas deve ser utilizado de acordo com as necessidades e a realidade financeira de cada propriedade, situações que precisam ser analisadas com bastante critério por um especialista”, explica.
O Sicoob ES foi o maior financiador do agronegócio capixaba no último ano-safra e prevê disponibilizar R$ 4,7 bilhões em crédito rural na safra 2026/2027. A cooperativa também é a maior repassadora de Funcafé do Estado há 14 anos consecutivos e há cinco anos ocupa o posto de maior repassador do BNDES Agro no Espírito Santo.
Como escolher o financiamento
As linhas de custeio são destinadas às despesas necessárias à produção, como aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas e outros insumos. Já os financiamentos para investimento podem apoiar a compra de máquinas e equipamentos, a modernização de sistemas de irrigação e melhorias na infraestrutura das propriedades.
“Uma das primeiras decisões é identificar a finalidade do recurso, mas, antes de contratar, o produtor precisa avaliar o custo total da operação e como o financiamento será pago. Uma máquina pode reduzir despesas com mão de obra e aumentar a eficiência, enquanto um sistema de irrigação pode ajudar a diminuir os impactos da estiagem. Mas esses benefícios precisam ser analisados em relação ao valor investido e à capacidade de pagamento”, orienta o diretor.
O especialista também recomenda atenção à organização do fluxo de caixa. O produtor deve considerar os compromissos já assumidos, os gastos previstos para a safra e a possibilidade de alterações nos preços dos insumos ou dos produtos comercializados.
Entre as possibilidades de investimento, estão ainda a instalação de painéis solares, a automatização de operações, a construção de estruturas de armazenamento, a expansão de áreas cultivadas e o melhoramento genético de rebanhos e plantações.
Para acessar o recurso do Plano Safra, o produtor rural precisa ser associado ao Sicoob ES, comprovar a posse da propriedade, seja por escritura, contrato de parceria, arrendamento, comodato ou assentamento; estar em dia com a situação tributária, por meio do Imposto Territorial Rural (ITR); e em regularidade com as obrigações ambientais, apresentando seu Cadastro Ambiental Rural (CAR), Licenças e Outorgas. De posse dos documentos, ele deve procurar a sua agência de relacionamento do Sicoob para a avaliação e contratação.
O Plano Safra é um recurso que tem uma finalidade específica, por isso, o empreendimento que foi financiado deve ser executado conforme previsto no projeto e todos os itens do orçamento precisam ser comprovados. O crédito estará sujeito a fiscalização e, portanto, é necessário que o produtor guarde os documentos que comprovem a aplicação do recurso.
Assessoria de Imprensa

