
O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de mamão, e cerca de 96% das 1,49 milhão de toneladas produzidas em 2025 foram destinadas ao mercado interno e restante ao externo, segundo dados da Embrapa. O consumo de frutas frescas (in natura) tem ganhado cada vez mais espaço, impulsionado por uma crescente preocupação com saúde e nutrição, e o mamão é a quarta fruta mais consumida pelos brasileiros, sua maior produção se concentra no Espírito Santo, na Bahia e no Ceará.
Com metade da produção voltada ao mercado brasileiro, a UGBP – criada em 2004 com foco inicial na exportação — vem ampliando sua atuação doméstica por meio da criação de canais estratégicos de distribuição. Em um cenário que exige alto padrão de regularidade, qualidade e segurança dos alimentos, a empresa fornece frutas para companhias paulistas de alimentação, como Sapore e Sodexo, que atuam principalmente no segmento educacional, atendendo escolas, universidades e outras instituições.
Essas empresas operam com alimentação planejada e foco em saúde, o que reforça a importância de um fornecimento consistente e de qualidade. “O principal desafio é a alta perecibilidade do produto, mas conseguimos atender bem esse mercado com logística ágil até São Paulo e transporte refrigerado”, afirma o gerente e responsável técnico, José Eugênio Fontes Carvalho.

Além da atuação comercial, a empresa também desempenha um papel social relevante. Parte da produção é destinada a iniciativas como o programa Mesa Brasil, do Sesc, voltado à segurança alimentar, e à Rede ALSA / Lar Semente do Amor, no município da Serra (ES). As doações incluem frutos em perfeitas condições de consumo, mas que, por estarem excessivamente maduros, não suportariam a logística de comercialização.
Desafios para avançar no mercado global
Apesar do forte mercado interno, o mamão ainda enfrenta desafios ao longo de toda a cadeia para ampliar sua presença no cenário global. Entre os principais entraves estão questões técnicas, concorrenciais e relacionadas ao perfil de consumo.
No campo, a questão está em manter a produtividade e a estabilidade das variedades. No pós-colheita e no transporte, a principal preocupação é preservar a integridade do fruto, especialmente evitando variações bruscas de temperatura — a chamada “quebra de temperatura” —, que ainda ocorre, por exemplo, em operações aeroportuárias.
Do ponto de vista regulatório, um dos principais desafios é o cumprimento do System Approach, que estabelece rigorosas exigências fitossanitárias acordadas entre Brasil e Estados Unidos. “Para exportar, os frutos precisam ser originários de áreas registradas, com monitoramento contínuo da mosca-das-frutas, além de controles específicos durante o processamento no packing house. Isso aumenta a complexidade e o custo da operação”, explica o gerente da UGBP.
Na etapa comercial, avançar no incentivo ao consumo e na padronização da qualidade é fundamental para garantir uma experiência mais consistente ao consumidor. José Eugênio acrescenta: “o crescimento do mamão no mercado internacional depende justamente desse alinhamento entre produção, logística e mercado”.
Outro fator relevante é a concorrência de países como o México, que possui vantagem logística ao fazer fronteira com os Estados Unidos, reduzindo custos e tempo de transporte. Além disso, o país não enfrenta o mesmo nível de exigência fitossanitária, o que amplia sua competitividade.
“Existe também a questão do consumo. O mamão ainda não é uma fruta amplamente difundida entre o consumidor americano em geral, sendo mais consumido por públicos latinos. Isso mostra que há espaço para crescimento, mas também evidencia a necessidade de desenvolver o mercado, e não apenas aumentar a oferta”, ressalta José Eugênio.
Para fortalecer sua presença no exterior, a empresa mantém parceria internacional na área comercial, responsável por desenvolver o relacionamento com clientes – especialmente nos Estados Unidos – e ampliar o conhecimento sobre esse mercado.
“Ao longo dos anos, essa atuação próxima ao mercado externo tem sido fundamental para compreender melhor as exigências comerciais, os padrões de qualidade e a dinâmica de consumo em diferentes países”, completa.
Mercado mais exigente e oportunidades de expansão
O mamão, assim como frutas como banana, maçã, laranja e manga, possui um mercado interno forte, porém altamente competitivo. Esse mercado tem se tornado cada vez mais exigente em relação à qualidade, padronização e apresentação dos produtos — desde mercados tradicionais até redes varejistas que operam com marca própria e auditorias rigorosas de fornecedores.

“No mercado externo, o nível de exigência sempre foi elevado e continua em evolução. Há uma pressão crescente por certificações em boas práticas agrícolas, segurança dos alimentos, critérios ESG e controle rigoroso de resíduos químicos. Ao mesmo tempo, trata-se de um mercado com grande potencial de expansão, e a UGBP segue focada em fortalecer sua atuação internacional”, conclui o responsável técnico pela UGBP.
Produção em larga escala e presença internacional
Há 22 anos no mercado, a empresa foi criada com foco na exportação e hoje mais de 50% do volume de produção é voltado ao mercado brasileiro. Possui aproximadamente 290 hectares de mamão, entre produção própria e áreas terceirizadas, com capacidade produtiva de em média 560 toneladas por semana, das variedades Papaya e Formosa. A UGBP conta hoje com 350 colaborares diretos.
A UGBP exporta para países como Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Polônia, Espanha e Inglaterra.
A reportagem integra à série “Mamão brasileiro: produção, mercado e futuro”, apresentada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex).
Valda Ravani – jornalista redação Campo Vivo

