Escassez de feijão muda o consumo

por admin_ideale

 


Os consumidores brasileiros vão ter mudar os hábitos alimentares. A escassez de feijão carioquinha já está provocando o aumento da procura pelo grão preto. Cerca de 60% da produção e do consumo nacional é do feijão carioquinha, difícil de ser importado de outros países.

“Com os preços elevados do carioca, as vendas do preto subiram. Houve uma migração. E, agora, para o final do ano, outra alternativa é a lentilha”, diz João Ruas, analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na última semana, de acordo com a Safras & Mercado, a cotação média do feijão carioca foi de R$ 260,70 a saca (60 quilos), valorização de 265,25% no ano e de 262,68% nos últimos 12 meses. No mesmo período, o feijão preto teve seus preços reajustados em 162% e 81%, respectivamente, com média de R$ 128,50 a saca, na última semana. Ruas diz que, os valores mais altos para o produto de carioquinha já se refletem no varejo, com o quilo do produto estando entre R$ 5 e R$ 6. “Nunca o consumidor pagou tanto pelo feijão”, diz. O produto tipo preto, para compensar, pode ser importado da Argentina – neste ano já chegaram ao País 65 mil toneladas.

“Vai ficar inacessível para as classes baixas e o consumo vai diminuir drasticamente”, Valdemar Ortega, da Bolsinha de Feijão.

“É difícil de conseguir alguém para fornecer para o Brasil, principalmente para o carioquinha”, reclama o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta. Segundo ele, a escassez de agora é fruto de um desestímulo à produção. Ruas, da Conab, lembra que nas duas últimas safras houve uma redução na oferta da ordem de 500 mil toneladas, principalmente no Nordeste. Segundo ele, esta diminuição ocorreu porque a área foi menor, mas também porque o clima prejudicou a lavoura, devido à seca.

Mas Ruas lembra que, mesmo agora, com os preços mais altos, o produtor preferiu plantar milho – além daqueles que trocaram a lavoura pela cana-de-açúcar, como em Goiás, no Norte do Paraná e em São Paulo. Pelas projeções da Conab, a produção de feijão da primeira safra – que deveria começar a ser colhida neste mês – será 2,4% inferior à 2006/07, somando 584,6 mil toneladas. Como houve atraso no plantio, a estimativa é que a maior parte da safra entre em fevereiro. Normalmente, em dezembro, 20% foram colhidos e 70% em janeiro. Agora, a projeção é de 10% e 40%, respectivamente. Rafael Poerschke, analista da Safras & Mercado, lembra que o plantio tardio, por causa da estiagem no Sul do País, poderá provocar quebra na produção da primeira safra.

Pelas estimativas do setor, o consumidor brasileiro só poderá comprar feijão carioquinha com tranqüilidade no meio do ano que vem, quando entrar a segunda colheita do grão. Até lá, as estimativas são de escassez do produto e de preços mais elevados, mas com uma leve redução assim que a primeira safra começar a ser comercializada.


 


 


Gazeta Mercantil

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