“A mineira Angélica é a sétima eliminada do Big Brother Brasil 10, em um Paredão com recorde de votos: mais de 77 milhões”. Essa é a primeira frase da notícia sobre o resultado de mais uma disputa que aconteceu na noite desta terça-feira (23). Minutos antes de Pedro Bial apresentar o resultado, um dos emparedados, em êxtase por ver sua família na tela, pronunciou palavrões repetidamente para os milhões de brasileiros ligados no programa. Me desculpem os adeptos do BBB, mas o horário nobre da principal emissora de televisão do país, e uma das principais do mundo, bem que poderia ser utilizado para temas de real interesse da população brasileira, como os impactos do clima na produção nacional de alimentos, a violência urbana, a falta de compromisso dos representantes políticos do país, entre outros.
Se bem que a vida dos ‘brothers’ deve ser interessante, né!? Porque a audiência do programa e a quantidade de ligações para votar no eliminado são surpreendentes. Os valores arrecadados com publicidade no Big Brother Brasil é o que interessa para a emissora. Enquanto os participantes mostram suas “histórias” de vida, suas belas teorias e suas conversas produtivas, a vida de muitos brasileiros continua sem espaço na mídia, principalmente a dos agricultores.
Excesso de chuva, ou a falta dela, sol forte, pragas, doenças, mercado. A realidade no campo é pouco divulgada e debatida nos veículos de comunicação, quase nada. A sociedade também me parece pouco preocupada com os rumos da agricultura e da pecuária, atividades vitais para a população. Ninguém liga para ‘votar e eliminar’ os problemas do campo, ou mesmo para reivindicar um serviço público na zona rural. Ninguém torce pelos produtores. Para não ser injusto, poucos torcem. A grande maioria deste país agrícola está preocupada em dá o rumo certo ao prêmio milionário do programa. Vamos tentando fazer a nossa parte.
Franco Fiorot
Editor – Campo Vivo

