“Se, ao deixar de divulgar os números do setor, o objetivo foi esconder [do mercado externo] a capacidade de produção brasileira, o momento foi totalmente inoportuno. Porque agora é a melhor ocasião de demonstrar a quem compra [carne de frango] do Brasil que nossa capacidade está mais limitada. Ou seja: não adiantam pressões sobre o preço, pois a oferta tende a diminuir”.
A opinião do analista de mercado procede. Pois, analisada a evolução da capacidade brasileira de produção de pintos de corte e de frangos a partir do alojamento de matrizes, é fácil constatar que ela sofreu radical redução nos últimos meses e segue decrescente até meados de 2010. Daí para frente os dados são estimativos, pois o setor “esconde” os números desde outubro. Mas se o alojamento de matrizes de corte continuar comedido como em boa parte de 2009, o potencial de produção continuará sensivelmente menor que o do início do ano passado.
Partindo de um índice “100” em janeiro de 2009, o gráfico abaixo mostra que a capacidade máxima de produção do setor foi alcançada no mês de maio, de onde passou a recuar. Em janeiro corrente esse potencial se encontra 8% abaixo do alcançado em maio e cerca de 4% abaixo do registrado em janeiro de 2009.
Chegar ao resultado prático disso solicita alguns cálculos complexos. Mas analistas e empresários apontam que a esta altura o setor se encontra com um potencial similar ao registrado no segundo semestre de 2008, o que representa capacidade de produção não superior a 480 milhões de pintos de corte mensais ou cerca de 960 mil toneladas de carne de frango.
Há, porém, quem aposte que os números possíveis são ainda menores. Lembram, por exemplo, que significativo número de matrizes alojadas em 2009 sequer chegou a entrar em produção, pois, “morreram precocemente por falta de recursos para comprar ração”.
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