Aumentar o número de propriedades orgânicas certificadas para 440 em 2010. Essa é uma das principais metas da Gerência de Agricultura Orgânica da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). O anúncio dessa e de outras metas para esse ano nesse segmento foi apresentado nesta segunda-feira (18), pelo novo gerente Decimar Schultz.
Hoje, o Espírito Santo conta com 140 propriedades Orgânicas certificadas com cerca de 2.600 hectares de terra. A produção gerada fica em torno de 100 toneladas/mês de olerícolas; 1.000 toneladas/mês de frutas e 8.000 sacas/ano de café beneficiado. Dentro do plano de ações para a Agricultura Orgânica para 2010 mais 300 propriedades, que já estão fase de transição, vão adotar as práticas da Agricultura Orgânica, o que eleva para cerca de 5.400 hectares de terra e para 2.500 toneladas/mês de produtos.
Na abertura da reunião, o secretário estadual de agricultura, Enio Bergoli, falou sobre a importância de se produzir de modo agroecológico. “A base do nosso trabalho é a agricultura, e milhares de capixabas dependem dessa atividade. Agora, nosso desafio é ampliar esforços e ações para a produção de alimentos saudáveis, com foco no meio ambiente, de forma que os produtores tenham fonte de renda e vivam com qualidade de vida no interior do Espírito Santo”, afirmou o secretário.
O gerente de Agricultura Orgânica, Decimar Schultz, destacou que com o trabalho proposto, juntamente com os parceiros do Governo, o setor deve crescer significativamente. “Queremos ainda estimular o incremento da atividade agricultura orgânica em nosso Estado, fazendo chegar ao agricultor mais renda e sustentabilidade na sua atividade”, comentou.
Outro desafio apontado por Decimar Schultz foi com relação ao preço de comercialização dos produtos. “Eles no geral são 25% mais caros e a redução do custo para a popularização do consumo é um dos grandes desafios para nós. Com o aumento do número de produtores esperamos uma queda significativa no valor de comercialização pelos atacadistas”, apontou.
Dentre os outros tópicos do plano de ações estão o mapeamento da Agricultura Orgânica no Espírito Santo e suas potencialidades regionais, a criação e estruturação da Agência de Negócios da Agricultura Orgânica, a capacitação de 40 técnicos e 400 agricultores sobre a nova legislação brasileira de certificação e a estruturação de agroindústrias para processamento, dentre outras.
O produtor Valdemar Flegler, de Santa Maria de Jetibá, comentou que desde 1986 adotou o lema da agricultura sustentável para a sua propriedade e que nessa mesma época foi desacreditado por seus vizinhos. “Eles diziam que era muito gasto para pouco retorno, mais eu sabia que seria um produto mais saudável e que a qualidade do meu solo e da minha água também seria melhor. Acho muito importante essa reunião do Governo, pois aqui fiquei sabendo dos investimentos que serão feitos na agricultura orgânica e pude receber informações importantes sobre o meu campo de atuação”, avaliou o produtor.
Os agricultores capixabas com pretensão de iniciar a transição para o sistema orgânico podem solicitar assistência técnica no Incaper, Prefeituras e parceiros conveniados com a Seag, como por exemplo a Associação Chão Vivo, de Santa Maria de Jetibá.
Municípios
Os principais municípios atendidos e que desenvolvem atividades agroecológicas e agricultura orgânica são: Alto Rio Novo, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Domingos Martins, Ibatiba, Iconha, Iúna, Irupi, Jaguaré, Laranja da Terra, Mantenópolis, Marilândia, Montanha, Muqui, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, São Mateus, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.
Principais produtos Orgânicos do Estado
Os principais produtos Orgânicos cultivados no Espírito Santo são: abobrinha, abóbora madura, agrião, aipim, alface, banana prata, banana da terra, batata doce, batata inglesa, brócolis, cachaça, café, cebolinha, cenoura, chuchu, coentro, couve folha, couve flor, espinafre, ervilha, inhame, laranja, mamão, manga, milho verde, morango, ovo caipira, pepino, quiabo, repolho verde, salsa, tomate e vagem.
Regulamentação
A Agricultura Orgânica é definida pela Lei Nº 10.831, de 23/12/2003, regulamentada pelo Decreto 6.323, de 27/12/2007. Nela consta:
Art. 1º Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.
Eduardo Brinco

