O preço da carne subiu 6,79% neste ano, mais que o dobro da inflação acumulada (3,30%), segundo o índice oficial de inflação o IPCA, que é medido pelo IBGE. A explicação é o longo período de estiagem, pois o pasto ficou seco e o boi magro.
Já o feijão acumula alta de 43,18% em 2007. A previsão é que o preço do produto só caia no início do ano que vem, na próxima safra. Para o agrônomo Pierre Vilela, houve um desequilíbrio na produção neste ano.
“Nós tivemos no início deste ano uma safra muito grande, um crescimento de quase 15%. Os preços ao produtor caíram muito e desestimulou aqueles produtores que produzem da metade do ano até o final”, disse Vilela.
Devido à alta nos preços do feijão e da carne, Manoel Drumond, que tem restaurante em Belo Horizonte (MG), repassou o aumento para o consumidor. O prato feito aumentou R$ 0,50, passando de R$ 6,30 para R$ 6,80, um reajuste de 8%.
“Aumentou a carne, aumentou o feijão, aumentou as coisas”, disse Drumond, ao justificar o reajuste no preço da refeição em seu restaurante, no qual são servidas 200 refeições a cada almoço.
Levantamento
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o feijão subiu em todas as 16 capitais pesquisadas pelo órgão no mês de outubro.
Em cinco capitais, o produto subiu mais de 20% em apenas 30 dias. Em João Pessoa, alta foi mais acentuada: 33,26%. Outras capitais registraram forte alta: Fortaleza (28,7%), Vitória (24,2%), Belém (22,76%) e Natal (21,5%).
Em Minas Gerais, o preço do feijão subiu tanto que hoje o produto custa três vezes mais que o arroz. No estado, o quilo do arroz sai por R$ 1,49, enquanto o do feijão custa R$ 4,43.
Segundo nutricionistas, substituir o feijão não é fácil, uma vez que produtos equivalentes, como o grão-de-bico, a lentilha e a ervilha, também são caros. A dica é cortar supérfluos e investir um pouco mais no feijão – uma boa fonte de ferro, zinco e potássio.
G1

