A Superintendência Federal de Agricultura no Espírito Santo promoveu na última semana uma reunião entre produtores da Associação dos Avicultores do Estado (AVES), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal – Idaf e o secretário de Agricultura da Serra, Bruno Silvares. O objetivo foi debater um problema que atinge diversos municípios, especialmente da Grande Vitória: o abate clandestino de aves. O superintendente federal de Agricultura, José Arnaldo de Alencar recebeu o apelo dos associados e foi o responsável pelo contato inicial com a prefeitura. “Esse primeiro passo é muito importante para resolvermos a questão. É claro que não podemos dar um prazo para que os municípios se adéquem, mas pelo menos é preciso que haja um início, uma projeção” – afirmou.
A fiscal federal agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Telma Regina de Oliveira e Paula, que é a presidente do Comitê Estadual de Sanidade Avícola – COESA-ES também participou do encontro. “A avicultura é muito importante, tanto do ponto de vista da exportação quanto da saúde pública. É preciso estar muito atento para as condições de abate, pois existem doenças que podem passar dos animais para o homem. O Mapa legisla porque busca aumentar a produtividade com qualidade” – explicou.
Mas o problema não é exclusivo do Espírito Santo. O diretor executivo da AVES, Nélio Hand, explicou que o transporte e comercialização dos animais vivos é muito comum em outras regiões. Segundo ele, de 60% a 70% das aves comercializadas do Sudeste para cima são vendidas vivas. Estas acabam indo parar nos estabelecimentos ilegais, que são os responsáveis pelo abate de cerca de 25% do frango produzido no Estado. Hand explicou que a situação não é simples. “Se nós deixarmos por conta do abatedouro ilegal, ele não vai mudar. Por isso, pedimos apoio ao município que ajude para que esses estabelecimentos se adéquem. Fechar e acabar com o trabalho dessas pessoas não é a solução, mas se não dermos alternativas, vamos aumentar a ilegalidade.”
O secretário municipal de Agricultura, Bruno Silvares devolveu a solicitação com uma informação sobre as primeiras atitudes que a Serra vem tomando. “O nosso maior avanço é que estamos tentando criar o SIM – Serviço de Inspeção Municipal, que certamente irá minimizar esse problema. Já tivemos uma conversa com um vereador e estamos em contato com a Câmara Municipal, e brevemente esse projeto será votado, para posteriormente implantarmos o SIM. Com esse serviço funcionando teremos a inspeção nos abatedouros clandestinos, que precisarão estar adequados e cumprir com as especificações” – prometeu.
Atualmente há 236 pontos de abate só na Serra, sendo todos irregulares. A veterinária do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado – Idaf, Laís Ferreira Mendes da Silva comentou que a Instituição já teve contato com vários abatedouros e muitos estão dispostos a mudar para estarem de acordo com as formas corretas de atuação. “Os municípios precisam criar o SIM e ter uma relação de critérios/exigências, que deverão ser cumpridos. O Estado tem uma regulamentação e o município deve fazer a dele” – finalizou.
Tatiana Ávila

