A maciez, a cor e o sabor da carne bovina estão intrinsecamente ligados aos ambientes de criação e à alimentação dos animais. Partindo desse pressuposto, a Embrapa está desenvolvendo, em diversas regiões do País, o projeto BifeQuali que alia genética à possibilidade de melhorar a adaptação dos animais aos biomas aos quais pertencem. No caso do Rio Grande do Sul, o trabalho está focado nos biomas Pampa e dos Campos de Cima da Serra, locais onde estão sendo testados os primeiros animais oriundos dos trabalhos genéticos desenvolvidos pela Embrapa. “Estamos trabalhando com as raças que melhor se adaptam ao Sul do País, como Angus, Hereford e cruzas de Nelore e Caracu”, explica o responsável pelas ações do projeto na região Sul e pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso.
Para isso, a entidade busca produzir animais oriundos de diversas cruzas dessas raças – Angus x Hereford, Angus x Caracu, Angus x Nelore – e também de animais puros, que depois são colocados a campo e observados para que sejam identificados os que apresentem melhor adaptação. “Fazemos diversas composições genéticas para depois acompanhar no pasto o comportamento desses bovinos”, diz o pesquisador.
Segundo o técnico, a partir do projeto os pecuaristas poderão contar com a vantagem de identificar quais exemplares que melhor se adaptam às condições do ecossistema disponíveis e com isso ganhar, não só em termos de qualidade de carne, mas também em sanidade, pré-requisitos básicos para uma boa rentabilidade – além da redução de custos. “Quanto mais determinada raça se adaptar ao alimento disponível, menos gastos o produtor terá com manejo”, explica. Também é possível fazer com que os animais passem a ter maior resistência a endo e ectoparasitas, como é o caso dos carrapatos.
O projeto se aplica tanto ao período de recria, feito em pasto nativo, quanto ao de engorda, realizado com os animais em confinamento. Segundo a Embrapa, o foco principal é a maciez, considerada como a característica que tem maior influência sobre o consumo. “A maior parte de produção de carne no País possui o atributo de carne menos macia. Então, estamos nos debruçando neste ponto considerado crucial pela cadeia produtiva da carne”, constata Cardoso. A pesquisa também pretende explorar demais atributos de qualidade da carne, como aroma, cor e sabor.
No dia 19 de maio, na sede e campos experimentais da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, será realizado um dia de campo para demonstração dos resultados do projeto até o momento. O encontro quer disponibilizar estudos sobre estratégias genéticas para a produção de carne de qualidade aplicados em quatro regiões brasileiras: Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. Cardoso explica que este dia de campo também busca novas linhas de ação que vinculem a qualidade da carne às particularidades dos ambientes de criação e sistemas alimentares adotados em cada região. O dia de campo conta com palestras sobre os novos rumos do projeto BifeQuali, durante o período da manhã, e à tarde, acontecem as visitas às mangueiras da unidade de pesquisa.
Jornal do Comércio

