Antonio Carlos Benassi

por admin_ideale

 


O engenheiro agrônomo Antonio Carlos Benassi, a médica veterinária Rachel Quandt Dias, e a técnica agrícola Renata Setúbbal visitaram na semana passda à sede da Superintendência da Ceplac na Bahia. Os profissionais do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) foram à Região Cacaueira no Sul do Estado, para aprofundar o conhecimento nas tecnologias de produção de cacau


A visita durante três dias, encerrada na quinta-feira (19), atendeu determinação do secretário estadual de Agricultura do Espírito Santo, Ricardo Santos, que deseja atender à agricultura familiar capixaba e acelerar pesquisas em andamento no Incaper referentes ao processamento de amêndoas de cacau.


Em entrevista ao Campo Vivo, o agrônomo e novo coordenador do setor de cacau do Plano de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag), Antonio Carlos Benassi, falou sobre a visita e os trabalhos para fortalecer a cultura cacaueira na região norte capixaba.


 


 


Campo Vivo – Você esteve semana passada na Bahia, na superintendência da Ceplac, juntamente com outras duas técnicas da região. Qual foi o principal objetivo dessa visita técnica?


 


Benassi – Na verdade, o cacau é uma cultura nova para o Incaper. É uma cultura que foi muito tempo trabalhada e ainda é trabalhada pela Ceplac, que tem os seus profissionais que trabalham nessa área. Sabemos que tanto a Ceplac quanto o Incaper não tem um número suficiente de técnicos que possam efetivamente dar todo o subsídio que o produtor necessita, é difícil chegar a todos os produtores. Então, por uma questão de demanda por tecnologias, por informação, nós estamos fazendo uma parceria e somando esforços juntamente com a Ceplac, com a Acal (Associação dos Cacauicultores de Linhares), com a Prefeitura de Linhares, no sentido de que a gente consiga cada vez mais chegar ao produtor e, principalmente, ao pequeno produtor. Essa é a missão maior do Incaper, é chegar ao pequeno produtor, ao produtor de base familiar, levar a ele as novas tecnologias para que ele possa ter uma convivência com a vassoura-de-bruxa no cacau, que é uma doença terrível.


E lá na Bahia nós estivemos olhando exatamente essa questão da doença, a questão de tecnologia de produção e vimos também a questão do processamento, visitamos os pesquisadores que trabalham nessa área de pesquisa, onde transformam a amêndoa de cacau no chocolate, ou seja, você tem toda a cadeia produtiva da matéria-prima ao produto final, agregando o valor. Foi uma viagem muito interessante.


 


 


CV – Existe a possibilidade de o Incaper disponibilizar, como uma base experimental aqui na região, essa máquina de processamento?


 


Benassi – É a nossa intenção, da própria secretaria de agricultura do Estado. Por isso estamos fazendo esses contatos, essas visitas, até para conhecer, porque é tudo muito novo para o Incaper a questão do cacau, então nós estamos fazendo essas visitas para conhecer os processos de produção, a tecnologia que é envolvida, os equipamentos que são existentes, que estão disponíveis no mercado, até porque isso tem que passar futuramente por uma aquisição.


Mas de qualquer forma a gente vislumbra lá na frente a possibilidade de nós estarmos adaptando essa tecnologia as nossas condições, trazendo essa tecnologia que hoje a Ceplac da Bahia já domina. Ela desenvolveu esse processo e nós estamos trazendo isso para o nosso Estado e futuramente estar disponibilizando isso às associações, cooperativas, aos empresários, a grupos de produtores que queiram beneficiar o produto.


 


CV – Benassi, está em andamento, a cerca de um ano e meio, um programa de recuperação da lavoura cacaueira aqui do Estado, resultado dessa união do governo do Estado, a Acal, a prefeitura de Linhares e a Ceplac. Você agora é o coordenador do setor cacau deste programa…


 


Benassi – Isso. Essa foi uma alteração feita com a ida do Dr. Ricardo Santos para a secretaria de agricultura. Ele que até então era o coordenador do cacau nos passou essa tarefa. Então nós temos, pela orientação do próprio secretário de agricultura, pelo próprio Incaper, de estar coordenando as ações não só da questão da área de produção junto aos produtores, mas estar também envolvendo agentes financeiros, outros parceiros no processo. Temos conversado com o pessoal do Banco do Brasil, existe disponibilidade de crédito a custo barato para o produtor de cacau de base familiar. Essas informações precisam chegar até o pequeno produtor e aí nós pedimos que o produtor seja parceiro nosso. De que forma? Pela quantidade de pequenas propriedades que existem é muito difícil nós chegarmos a todas elas, então nós precisamos que os produtores se organizem, em associações, em cooperativas, em grupos, para que a gente possa passar essas informações para o maior número de pessoas possíveis. Se for demandar ir a cada propriedade certamente nós demoraremos um tempo muito grande, então, para que a gente ganhe tempo, é muito interessante que os produtores estejam unidos em grupos para que a tecnologia chegue até eles de maneira mais rápida.


 


CV – Apesar de ser uma cultura nova para o Incaper, e a limitação que a Ceplac tem, você acredita, realmente, na recuperação da lavoura na região norte do Estado?


 


Benassi – Pelas informações que estamos levantando junto ao pessoal da Ceplac na Bahia e em Linhares temos observado que existem tecnologias para a convivência com a vassoura-de-bruxa, de forma que ela não aniquile totalmente a produção e, paralelo a isso, existem ações que podem estar sendo desenvolvidas para o aumento da produtividade. Hoje nós temos um problema bastante sério que é o número de plantas de cacau que você tem por área ou por hectare. É muito baixo e nós precisamos aumentar o número de plantas por área. Isso vai demandar maior quantidade de mudas, maior quantidade de hastes, para que os materiais sejam clonados e possamos estar recuperando essas lavouras antigas. Linhares é caracterizado por lavouras muito antigas, principalmente nessa área do baixo Rio Doce, e precisam ser renovadas com materiais genéticos que sejam produtivos e tolerantes a vassoura-de-bruxa. Temos muito que caminhar nesse sentido.

Você também pode gostar

O Portal Campo Vivo é um veículo de mídia especializada no agro, da Campo Vivo – Inteligência em Agronegócios, empresa ligada diretamente ao setor dos agronegócios, interessada na valorização das cadeias produtivas da agropecuária capixaba e nacional.

Siga nossas redes sociais

Desenvolvido por ideale.dev

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar