Máquina dispensa água na lavagem da cana-de-açúcar

por admin_ideale

 


Um equipamento que dispensa o uso de água no processo de limpeza da cana-de-açúcar, evitando assim impactos ambientais, e que poderia até mesmo baratear o preço final do álcool para o consumidor. Essa é uma invenção que está em desenvolvimento há quatro anos por um professor da USP de Ribeirão, em conjunto com seu irmão e sobrinho. Batizado de Rot-Cleaner, o aparelho dispensa o uso da água para lavar a cana. Quando cortada, o produto é lavado para retirar a sujeira para então poder entrar na moagem. Estima-se que são necessários pelo menos 5 metros cúbicos (ou 5 mil litros) de água para cada tonelada de cana. Se considerar que uma usina pequena mói 3 mil toneladas de cana por dia, ela usa pelo menos 15 milhões de litros de água diariamente —o que daria para abastecer pelo menos 37,5 mil pessoas por dia em Ribeirão Preto(6,8% da população).

As usinas possuem sistemas para reaproveitamento da água, que são caros. Segundo dados do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), cada metro cúbico de água reutilizada custa de R$ 0,80 a R$ 1,80 para a usina.

No Rot-Cleaner, a cana cai dentro do maquinário, gira dentro dele e a sujeira, composta basicamente de terra e palha, cai pelas grades para um compartimento —e pode ser reutilizada como adubo. O equipamento, que está em construção em um galpão no Distrito Industrial de Cravinhos, será entregue em 30 dias a uma usina da região, que não teve o nome revelado. Os inventores afirmaram que como ele dispensa o uso da água, não causa impactos ambientais e torna o processo mais barato, o que poderia refletir no preço do álcool na bomba. “A ideia do aparelho surgiu em 1977, mas naquela época ninguém estava preocupado com o uso da água. Agora ele ganhou mais importância”, disse Pedro Bignelli, professor da USP. O preço estimado de um aparelho pequeno é de R$ 2 milhões. “Investimento que o usineiro paga em uma safra, se levar em conta a economia que tem com o uso da água”, disse Marcelo Bignelli, filho de Milton e também um dos inventores.

Cana não perde em qualidade

Além da economia de água, que proporciona menos impactos ambientais, o Rot-Cleaner também evita a perda de parte da sacarose, o que aumenta a produtividade da cana moída.

Com o processo de lavagem, estima-se perda de 2% de sacarose da cana queimada. Quando a cana é colhida na máquina, é cortada em quatro pedaços, o que aumenta a perda de sacarose para 16%, conforme Pedro Bignelli, um dos inventores. “Quando cortada pelo maquinário, a cana nem pode ser lavada. As usinas moem e deixam em tanques de decantação para poder fazer o álcool depois.” Além disso, os resíduos da cana na água sequestram o oxigênio, o que a torna imprópria para consumo e impossibilita o despejo em rios e mananciais. “Se jogar na água, mata todos os peixes.”


 


Cosmo On line

Você também pode gostar

O Portal Campo Vivo é um veículo de mídia especializada no agro, da Campo Vivo – Inteligência em Agronegócios, empresa ligada diretamente ao setor dos agronegócios, interessada na valorização das cadeias produtivas da agropecuária capixaba e nacional.

Siga nossas redes sociais

Desenvolvido por ideale.dev

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar