A Polícia Federal (PF) acredita que poderá identificar outros esquemas de adulteração de leite longa vida com base no resultado das análises das amostras que começaram a ser recolhidas em todo País. A Operação Ouro Branco, da PF e do Ministério Público Federal (MPF), desarticulou anteontem uma quadrilha que atuava nas regiões do Triângulo Mineiro e sul de Minas utilizando substâncias químicas impróprias para o consumo humano, com o objetivo de aumentar o prazo de validade do produto.
Conforme as investigações, as cooperativas dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, são suspeitas de acrescentar no leite substâncias como soda cáustica (hidróxido de sódio), água oxigenada (peróxido de hidrogênio), citrato de sódio e ácido cítrico.
A PF iniciou o recolhimento de amostras para as análises do Ministério da Agricultura. De acordo com o delegado Ricardo Ruiz Silva, há indícios de que as fraudes estejam sendo cometidas em outros Estados. A PF já recebeu informações de funcionários de outras cooperativas no País sobre supostos esquemas de adulteração. As amostras de leite recolhidas serão analisadas pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), mas não há prazo para a apresentação dos laudos.
Das 27 pessoas presas temporariamente durante a operação, pelo menos 14 foram liberadas ontem. A maior parte dos suspeitos soltos seria funcionários que contribuíram com as investigações. Seis pessoas permaneciam presas em Uberaba.
O Ministério Público Estadual (MPE) de Minas Gerais informou que a Promotoria de Defesa do Consumidor em Uberaba determinou a apreensão das embalagens de leite longa vida das marcas Centenário, Calu e Parmalat nos supermercados da cidade. O produto começou a ser recolhido anteontem. A Parmalat informou, em nota à imprensa, que descredenciou as cooperativas Coopervale e Casmil, das quais comprava leite cru.
Jornal da Tarde – SP

