Conilon Fine Cup: o Espírito Santo estabelece um novo patamar

*Michel Tesch

por Portal Campo Vivo
Foto: Jéssica Pesca

O Espírito Santo está fazendo uma provocação ao mercado: é hora de olhar para o conilon capixaba em um novo patamar. Não apenas como origem reconhecida por volume, produtividade e competitividade, mas como fornecedora de canéforas de qualidade elevada, sustentáveis, consistentes e disponíveis em escala comercial.

A Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup do Espírito Santo é o marco inicial desse movimento. Não se trata de microlotes para concursos, segmento em que já somos referência. Estamos falando de cafés com qualidade diferenciada e volume para produtos 100% canéfora ou para compor blends de maior valor, mais sofisticados e destinados aos mercados mais exigentes, com lotes mínimos de 420 sacas.

O termo Conilon Fine Cup é parte dessa provocação. Hoje, não há referência comercial padronizada para esses conilons de qualidade superior, embora empresas usem nomenclaturas próprias. Também não há sequer essa cotação “na televisão”. A proposta é construir uma linguagem simples e reconhecível, aproveitando a lógica já difundida no mercado de arábica. Não se trata de criar uma classificação oficial, mas de posicionar uma nova categoria comercial, um novo café conilon.

O momento é propício. A mecanização permite colher maiores volumes de frutos maduros. Tecnologias para geração de calor na secagem, como gás e caldeiras, avançam para enfrentar o problema da fumaça e dar escala à evolução da qualidade. Há ainda ganhos de eficiência e automação no pós-colheita sendo explorados pela pesquisa.

No entanto, esse é também um movimento imprescindível. O recorde das exportações brasileiras de canéfora, com 9,356 milhões de sacas de café em grão cru, ocorreu em 2024, especialmente pela menor disponibilidade em origens tradicionais, como o Vietnã. A escassez fez com que muitos compradores recorressem ao Brasil, inicialmente mais por necessidade do que por preferência.

O mercado já trabalha com a perspectiva de que o Brasil supere, nos próximos anos, o volume de canéfora produzido pelo Vietnã. Não é projeção oficial, mas uma possibilidade sustentada pelo ganho tecnológico, pelo aumento de produtividade e pela expansão das áreas de cultivo em diversos estados, inclusive no ES.

Nesse cenário, acessar o mercado externo deixa de ser oportunidade e passa a ser necessidade estratégica. Os cafés canéforas brasileiros precisam ser desejados, e não escolhidos apenas na escassez. Esse desejo dependerá de qualidade, consistência, sustentabilidade, rastreabilidade e capacidade de fornecimento.

O Espírito Santo está preparado para liderar esse processo. É, atualmente, uma das regiões produtoras de Coffea canephora com o mais elevado nível tecnológico do mundo e segue avançando. Investimentos em pesquisa, inovação e assistência técnica, fortalecem nossa produção diante de desafios como mudanças climáticas, eficiência hídrica e rastreabilidade.

Além de qualidade e volume, o Estado possui uma agenda consistente de sustentabilidade. Muitos produtores contam com certificações internacionais, enquanto o Currículo de Sustentabilidade do Incaper amplia a adoção de boas práticas. O resultado são famílias que prosperam a partir do café, com sucessão familiar, protagonismo das mulheres e qualidade de vida.

A mensagem aos compradores internacionais é objetiva: o Espírito Santo produz cafés capazes de competir em qualidade com os melhores canéforas do Vietnã, da Indonésia, da Índia, de Uganda e de outras origens, e agora esses cafés estarão na vitrine. Mais do que isso, o Espírito Santo se posiciona, dentro de um Brasil estratégico para a segurança do abastecimento mundial, como uma alternativa indispensável para compradores dispostos a repensar seus blends.

Com sólidos investimentos públicos e privados, equipes técnicas de altíssimo nível, produtores empreendedores e apaixonados pelo conilon e um setor exportador articulado, temos confiança no que está por vir.

O mercado mundial do café pode se preparar: uma nova era do conilon está começando no Espírito Santo.

Michel Tesch

Engenheiro Agrônomo, com especialização em Gestão Empresarial e trajetória dedicada à estratégia e ao desenvolvimento do agronegócio. Atual Subsecretário de Desenvolvimento Rural do Espírito Santo, atua na liderança de políticas públicas, projetos setoriais e iniciativas de inovação, sustentabilidade e competitividade.



Michel Tesch
Subsecretário de Estado de Desenvolvimento Rural do ES


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