
O agronegócio brasileiro há muito se consolidou como um dos pilares mais dinâmicos e resilientes da economia global. Ai do Brasil sem o Agro! O Agro transformou nosso país de um importador de alimentos na década de 1970 em uma superpotência agroambiental no século XXI. Diante das urgências climáticas e de uma população mundial necessitada de alimento, o potencial do setor vai muito além de bater recordes sucessivos de safra; ele reside na capacidade de liderar a transição global para uma produção massiva, sustentável e baseada em tecnologia avançada.
O Brasil, graças aos seus pesquisadores renomados em todo o mundo, nas centenas de instituições de pesquisas em ciências tropicais, foi impulsionado pelo motor desse crescimento contínuo em produtividade. O desenvolvimento tecnológico liderado por instituições públicas e privadas, juntamente com o apoio irrestrito do setor Agro, ensinou o Brasil a produzir mais por hectare, com sustentabilidade, reduzindo a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas. Tecnologias como o plantio direto, o manejo integrado de pragas, a digitalização do campo e a microbiologia aplicada — com o uso recente de inteligência artificial, drones e sensores IoT — permitem uma gestão de precisão que otimiza insumos e reduz custos, elevando a competitividade internacional dos produtos agrícolas brasileiros.
E este potencial não para por aí! Além de toda esta eficiência técnica, nosso futuro no agro nacional está intrinsecamente ligado à sustentabilidade. O país desponta na vanguarda da economia de baixo carbono, maximizando o uso da terra, recuperando áreas degradadas e sequestrando carbono, gerando ativos ambientais valiosos para a economia verde global. A capacidade de alinhar a conservação dos biomas com o aumento da oferta de alimentos posiciona o Brasil como um parceiro comercial estratégico e indispensável para nações com metas climáticas severas.
Além de tudo isso, temos um Agro inteligente, que aprendeu muito com a Globalização ocorrida no final do século passado. O vetor de expansão do setor com a diversificação de mercados e a agregação de valor às commodities foi decisivo para nossa liderança mundial. Embora o país seja líder absoluto na exportação de soja, café, açúcar e carne bovina, há um vasto potencial sendo explorado no processamento interno de diversos produtos agrícolas, incluindo aqueles que deixaram as commodities e, graças à coragem dos produtores rurais que verticalizaram sua cadeia produtiva e agregaram valo aos mesmos, ampliando a pauta exportadora e melhorando nossa segurança alimentar brasileira.
Outro aprendizado no mercado internacional, decisivo para a conquista da liderança global de diversos produtos agrícolas brasileiros foram as adequações de nossos arranjos produtivos aos protocolos internacionais de certificação de produtos agrícolas. Os principais produtos brasileiros tipo exportação seguem os rígidos requisitos comerciais padrão global, não apenas aqueles relacionados à segurança do alimento contra contaminantes, mas também os padrões internacionais de sustentabilidade ambiental e social.
Para atendimento aos requisitos dos diversos protocolos internacionais de certificação agrícola, a virada de chave decisiva do produtor rural foi a adoção massiva dos Bioinsumos. No setor produtivo sustentável, o fortalecimento do mercado de bioinsumos foi a causa principal da ampliação da pauta exportadora. O potencial do agronegócio brasileiro é, portanto, um horizonte em constante expansão. Ao unir segurança alimentar, responsabilidade climática e inovação tecnológica sustentável, o campo brasileiro deixa de ser apenas um fornecedor de matéria-prima para se consolidar como o garantidor da estabilidade do abastecimento mundial e o maior laboratório de sustentabilidade do planeta.
Mas, apesar do agronegócio brasileiro passar por esta revolução, que impacta diretamente a mesa e o futuro de todo o planeta, isso infelizmente é algo silencioso. O barulho da cidade não permite ao brasileiro urbano escutar o campo e, ainda pior, desconhece os méritos do homem do campo. Trata-se ainda de um injustiça implacável com o produtor rural, acusado dos maiores crimes ambientais e sociais possíveis. Quando não rotulam os produtores rurais como os vilões irresponsáveis sejam pela degradação do meio ambiente ou pela escravidão do trabalhador rural, permanecem a todo momento responsabilizando-os pela intoxicação dos moradores da cidade, pelo uso indiscriminados dos agrotóxicos. Precisamos que outros gritem para a cidade que, longe de ser apenas um setor de cultivo tradicional, os nossos campos, hoje, funcionam como imensos laboratórios de inovação, com padrão internacional. O grande diferencial atual do Brasil não é apenas o volume de alimentos produzidos, mas sim a capacidade de aumentar as colheitas utilizando tecnologias que protegem o meio ambiente, melhoram a qualidade de vida do homem do campo e colocam alimento seguro na mesa do consumidor brasileiro e mundial.
A imagem do campo, que muitas vezes remete ao passado, precisa estar apenas em nossas memórias afetivas, para ainda sim nos levar ao desejo de retornar a um tempo que, apesar da dificuldade, nos proporcionava também alegrias incomparáveis de uma vida saudável e de valores que não se vê faz tempo nas cidades. Na realidade atual do campo só se vê futuro, envolvendo satélites, inteligência artificial e biologia avançada. O foco do setor mudou: o objetivo central não é mais expandir a área de plantio sobre a vegetação nativa, e sim produzir muito mais utilizando o mesmo espaço de terra já aberto. Essa abordagem poupa recursos naturais e preserva as florestas brasileiras, com uma tecnologia sustentável de práticas inovadoras que unem ecologia e eficiência econômica.
Desafio a todos os urbanos a enxergarem no campo a revolução dos bioinsumos, com defensivos e fertilizantes naturais, criados a partir de bactérias, fungos e plantas, que reduzem o uso de produtos químicos tradicionais; os sistema que integra grãos, gado e árvores na mesma propriedade, otimizando o solo e gerando o bem-estar animal; os drones e os satélites que monitoram as plantações; as máquinas guiadas por GPS de alta precisão que evitam o desperdício e reduzem drasticamente o consumo de combustível; as práticas culturais que cultivam a nova safra sobre os restos da colheita anterior, mantendo a umidade da terra e evitando a erosão do solo, protegendo os rios e os mananciais que abastecem os grandes centros urbanos; enfim, a enxergarem o óbvio aos olhos dos competentes responsáveis técnicos, profissionais de ponta, totalmente alinhados à verdadeira agroecologia.
Se não for possível ver com os próprios olhos, desafio ao menos vocês tirarem a venda dos olhos, colocadas pelos irresponsáveis influencers, que de nada entendem e muito menos da realidade atual do campo. Por misericórdia, sejam ao menos gratos aos produtores rurais, pelas vantagens reais trazidas por eles para o consumidor final das cidades.
Mas, se quiserem, ainda, permanecerem na ignorância, isso não mudará a verdade dos fatos: O agronegócio brasileiro é a prova de que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico podem caminhar juntos e consolida o Brasil como a principal potência agroambiental do século XXI.

Dr. José Roberto Fontes
Eng° Agrônomo, Doutor em Fitotecnia, Consultor Agrícola na área de Certificações Comerciais / Compulsórias e Gestão Integrada da Qualidade – Germinar Consultoria e Assessoria Ltda.
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