Boi em alta derruba margens dos frigoríficos

por admin_ideale

 


Apesar de o consumidor brasileiro estar pagando mais pelo churrasco de domingo, as margens das indústrias frigoríficas caíram. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a diferença entre o valor pago pelo boi e o ganho das empresas com a vendas das carnes em junho é de 13,31%. A estimativa da consultoria é que, na média, a margem das indústrias em 2008 fique abaixo dos anos anteriores.


Quando se compara o resultado de junho com 2007 e 2006 a tendência já se verifica. No mesmo período de 2007, a margem das empresas era de 16,04%. Em relação a dois anos atrás, a diferença é ainda maior: 21,05%. O estudo não leva em conta o resultado financeiro.


A analista Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria, lembra que os índices são referentes apenas à diferença de preço com o mercado interno e não se referem aos custos das indústrias.


Para a analista, além da conjuntura atual de escassez de matéria-prima, que eleva o preço da arroba do gado, comprimindo as margens, existem outros fatores que explicam a queda em relação a anos anteriores. Em junho de 2006, por exemplo, o preço da arroba era o menor do período analisado e, por isso, a diferença era favorável aos frigoríficos.


Maria Gabriela acrescenta que a tendência é que as margens em 2008 fiquem abaixo das médias dos anos anteriores porque, apesar de, no acumulado serem maiores, o preço do boi gordo tende a continuar em patamares elevados. “Se na safra estava elevado, imagine na entressafra”, afirma a analista. Segundo o estudo da Scot Consultoria, a margem média de 2006 – 12 meses – foi de 20,12%, enquanto a do ano passado, de 15,42%. Ou seja, de um ano para outro houve queda e, agora, ela acredita que mais uma vez isso ocorrerá. Mas, por enquanto, no acumulado de janeiro a junho, a margem está em 17,3% – teoricamente período de safra, quando os valores pagos pelo animal são mais baixos que os da entressafra.


O levantamento da empresa mostra ainda que desde o início do ano, o valor pago pelo boi gordo subiu 19,17%, cotado a R$ 88,9 a arroba (média do mês em São Paulo). No mesmo período, o valor recebido pelas indústrias acumulou alta de 19,4%. No varejo, de janeiro a junho a valorização foi de 4,3%.


Gazeta Mercantil

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