Com a segunda maior produção de leite do Espírito Santo, o município de Linhares tem como característica a criação de vacas em propriedades de agricultura familiar. Uma delas é na localidade de Chapadão, em Rio Bananal, onde a pecuarista Nete Rigoni possui 16 animais. A produção de leite da família é destinada para a fabricação de queijos na própria propriedade.
Assim como Rigoni, mais 54 famílias rurais participam do projeto de desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite através das agroindústrias familiares, que começou em 2009, realizado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Espírito Santo, Secretaria de Agricultura de Linhares e do Banco do Nordeste do Brasil, além de outros parceiros.
A parceria objetiva melhorar as condições sanitárias das queijeiras e inseri-las no Serviço de Inspeção Municipal (SIM), por meio de capacitações, pesquisas e acompanhamento técnico. E os resultados já começaram a aparecer, segundo a pecuarista. “Depois que eu comecei a fazer os cursos, com acompanhamento técnico, aprendi a fazer iogurte, pasteurizar o leite, fazer ricotas. O projeto foi muito importante para nosso aprendizado. Eu não pasteurizava o leite antes, agora sim. A qualidade melhorou bastante, não tem mais bactérias, foi comprovado já em testes”, diz Nete Rigoni, que há 12 anos produz queijo e já tem o Serviço de Inspeção Municipal.
A produtora está entre as dez famílias da região que tiveram suas agroindústrias selecionadas para acompanhamento como unidade de referência, servindo de modelo de produção e gerenciamento para outros agricultores familiares. A intenção é orientar para que os produtores tenham condições de oferecer um alimento saudável aos consumidores e, com isso, gerar renda de forma responsável. “Existem algumas doenças dos animais que podem ser transmitidas para o ser humano, que a gente chama de zoonoses, então a gente precisa ter um animal saudável, fazer a vacinação correta, fazer o teste de tuberculose e brucelose para saber se algum animal está com essa doença, que pode ser transmitida por meio do queijo e do leite consumido cru. Então, nesse projeto nós estamos fazendo isso, os testes das doenças, e o produtor passa por um treinamento de sanidade do rebanho. Se tiver um rebanho com saúde, o leite também vai ser um leite isento de qualquer outro problema mais sério”, diz a médica veterinária do Incaper, Alessandra Maria da Silva.

A produtora Nete e seu esposo, ladeados das veterinárias Alessandra (esquerda) e Marcela (direita)
A coleta do leite é outro ponto destacado no projeto. A higiene correta faz parte das boas práticas de produção. As orientações são cuidados na ordenha, realizar o teste de mastite pra ver se não há inflamação na glândula mamária, lavar a teta da vaca antes de fazer ordenha, manter os utensílios todos limpos, dentre outros. “O produtor tem que resfriar o leite o mais rápido possível também para que não aconteça multiplicação de bactérias. Se ele seguir essas recomendações corretas teremos uma matéria prima de qualidade pronta para ir para indústria”, destaca a veterinária.
Nas propriedades referências, é realizado um acompanhamento sistemático. Todos os meses, os técnicos visitam os locais, coletam leite e queijo e enviam para análise no laboratório. Com o monitoramento dos resultados das análises é possível avaliar se o produtor está se adequando e adotando as práticas corretas. “Nós temos observados uma melhora cada vez maior da qualidade da matéria prima. Com esse leite de melhor qualidade nós esperamos também que o queijo vai ter melhor qualidade. O produtor que está pasteurizando o leite consegue mais rendimento na produção e, com a qualidade superior, vai aumentar a procura desse queijo e vai conquistar mais mercado”, afirma Alessandra.

Produtores participam de capacitação sobre boas práticas na produção de derivados do leite
A instituição financeira envolvida no programa busca oferecer oportunidades de investimentos na atividade leiteira que possibilitem o desenvolvimento regional, segundo o agente de desenvolvimento do Banco do Nordeste, Kleber Oliveira. “Temos observado como grande resultado as unidades de referência no município de Linhares. Produtores que já estão mais avançados sendo que alguns investiram com capital próprio e outros estamos apoiando nesta área leiteira. Acreditamos que existe um grande potencial co muitas famílias que precisam adequar a produção para garantir segurança alimentar e estamos apoiando todas essas ações do projeto”, destaca Oliveira.
Com ações integradas e a vontade do pecuarista em evoluir em sua atividade, gerando mais renda e aumento da qualidade, o setor leiteiro cresce e abre novas oportunidades. “Não estou dando conta nas vendas porque a quantidade de leite necessária para o queijo já está pedindo mais do que eu estou tirando. Estamos buscando o crescimento na atividade para chegar a uma quantidade de leite bem maior do que eu já tenho para mandar mais produto para o mercado. As pessoas procuram bastante”, comemora Nete Rigoni.
Reportagem: Franco Fiorot

