Vinho nacional: Confusão sexual nos vinhedos

por admin_ideale

 


Para obter um vinho melhor é preciso enganar os machos. Essa não é uma ideia bizarra de alguma produtora de vinho emergente, mas é a base da pesquisa do engenheiro agrônomo José Eudes de Morais Oliveira, pesquisador da Embrapa Semiárido, de Petrolina, Pernambuco (1).

Para conter a proliferação da praga Traça-dos-cachos em parreirais de uva vinífera no submédio do vale do rio São Francisco, os pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) recorreram a artimanhas sexuais a fim de frustrar a procriação da espécie. Fizeram isso espalhando na área cultivada um produto que sintetiza o odor do hormônio feminino (feromônio), chamado tecnicamente de Splat Crypto (2). Aplicado em pontos diversos do pomar como pistas falsas da presença da fêmea, o produto induz tal confusão sexual que os insetos machos passam a voar desnorteados pelo pomar saturado com o cheiro do que poderia ser uma parceira. Desta forma não há acasalamento e a fêmea passa seu ciclo de vida sem se reproduzir.

Quando começou a executar o projeto “Estratégias para o manejo integrado da traça-dos-cachos da videira”, em janeiro de 2009, o engenheiro agrônomo José Eudes de Morais Oliveira, pesquisador da Embrapa Semiárido, garantiu que em armadilhas colocadas nas áreas infestadas podia-se contar até 700 desses insetos. Ao final do projeto, neste início de 2011, as quantidades encontradas caíram drasticamente para cerca de 4-5.

Um resultado dessa dimensão, se não garante a extinção da praga, assegura a manutenção da população do inseto em níveis tão reduzidos que não afetam a produtividade do parreiral. O manejo pesquisado no projeto praticamente abre espaço para inverter a tendência registrada nos últimos anos da constante presença dessa praga – uma espécie de lagarta – e que tanto prejuízo tem causado às vinícolas.

A redução drástica da população do inseto nas áreas pesquisadas foi obtida sem o recurso de qualquer dose de insumos químicos. “A técnica empregada foi bem mais sutil e sem qualquer dano para o meio ambiente ou de risco de resíduos nas frutas que podem prejudicar a qualidade do vinho (3) e a saúde humana”, afirma o pesquisador.

1Para maiores informações: José Eudes de Morais Oliveira – Pesquisador. E-mail: jose.eudes@cpatsa.embrapa.br

2A forma de aplicação é curiosa: o pesquisador adaptou uma pistola de vacinar gado; após carregar com o produto que tem a semelhança de uma substância pastosa de cor acinzentada, é feito um disparo no tronco da videira para deixar fixado o feromônio sintético.



Tribuna do Norte

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