Representantes das comunidades quilombolas, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), além de técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), se reuniram no auditório do Instituto Jones Santos Neves, para discussão e reflexão da temática quilombola no Espírito Santo.
A discussão aconteceu por meio de um seminário realizado nesta quinta (28) e sexta-feira (29), com o tema ‘Políticas Públicas para Comunidades Rurais Quilombolas’. Para o diretor técnico do Incaper, Aureliano Nogueira, esse seminário trouxe assuntos que são pendências práticas para os quilombolas na hora de obter recursos e comercialização de seus produtos. “Os quilombolas são um potencial na agricultura familiar do Estado, e o Incaper faz o papel de integrar e mobilizar esses agricultores familiares com as ações públicas, por meio do conhecimento técnico e da extensão rural”, frisa.
O evento contou com a presença de profissionais que auxiliam no desenvolvimento dessas comunidades. Uma das palestras foi com o tema ‘Tecendo os Saberes: desenvolvimento quilombola e a importância do enfoque multidisciplinar’, ministrada pelo professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sandro José da Silva.
Outro assunto importante mostrado aos representantes quilombolas, foi abordado por Cibele Bueno Oliveira, da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA, sobre as políticas públicas do Ministério para os quilombolas, com foco no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP).
“Essas discussões são sempre válidas, pois graças à atenção do Incaper, minha comunidade tem acesso a ações do Governo. Até conseguimos produzir para comercializar junto ao PAA, laranja, inhame, alface, entre outros produtos”, comenta o representante da comunidade quilombola de Jerônimo Monteiro.
Segundo o coordenador estadual das comunidades quilombolas, Arilson Ventura, essa troca de informações entre o conhecimento técnico e esses agricultores chegam em boa hora. “Temos muita dificuldade em ter acesso a essas políticas, e esse seminário foi satisfatório para compreendermos cada vez mais os processos e quem devemos procurar”, afirma.
Atualmente, existem no Estado cerca de 100 comunidades quilombolas, localizadas nas regiões Sul, Norte e Serrana, totalizando uma população de mais de 30 mil pessoas.
Otavio de Castro

