O novo Regulamento Técnico para Café Torrado em Grão e Café Torrado e Moído, implementado pela Instrução Normativa N° 16, do Ministério da Agricultura, e em vigor a partir desta quarta-feira (23), conta com o apoio da ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café e vai potencializar o seu Selo de Pureza, certificação pioneira na área de alimentos e bebidas lançada há 21 anos e até hoje ativa. A opinião é do presidente da ABIC, Almir José da Silva Filho, para quem a nova regulamentação vai reforçar as iniciativas da entidade “para combater a fraude e a adulteração, melhorando a qualidade do café e auxiliando as indústrias de todo o país que atuam corretamente e merecem que seus produtos sejam reconhecidos pelo varejo, pelos consumidores e tenham o justo valor”.
Avaliação Sensorial
A IN 16 previa também a análise sensorial do café, para avaliar atributos como fragrância, aroma, sabor e acidez, sendo aprovados apenas aqueles que obtivessem nota igual ou superior a 4 pontos, em uma escala de 0 a 10. Entretanto, atendendo pleito da ABIC, essa exigência foi adiada por dois anos, conforme Instrução Normativa N° 6 publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União.
Nesse período de dois anos, o governo promoverá a formação de profissionais classificadores especializados na avaliação de café torrado em grão e torrado e moído. Atualmente, 16 profissionais já foram treinados. A meta do Ministério da Agricultura é capacitar mais 340 técnicos e 500 industriais.
Qualidade
Para a ABIC, a melhoria contínua da qualidade do café oferecido aos consumidores é uma das razões que faz o mercado interno ser um dos que mais crescem no mundo. Em 2010, foram industrializados 19,13 milhões de sacas de 60 kg, o que representa um crescimento de 4,03% em relação a 2009, que havia sido de 18,39 milhões de sacas. Esta taxa é mais do que o dobro do aumento médio do consumo mundial de café.
Agora, com a implementação da IN 16, o trabalho da ABIC de conscientização dos associados quanto à qualidade do produto será reforçado. “Os industriais precisam redobrar seus cuidados na compra de matéria-prima, exigindo de seus fornecedores a qualidade que lhes será exigida no ponto de venda”, diz Almir Filho. A entidade preparou um Guia da Qualidade que traz especificações da IN 16, informações técnicas sobre métodos de controle de impureza e de controle e análise da umidade, e com modelos de registros de todos os procedimentos. “São sugestões para que as indústrias implantem novos controles principalmente da matéria-prima adquirida e recebida.”
Em 2010, o consumo per capita de café no Brasil foi de 4,81 kg, o maior desde 1965, que foi de 4,72 kg, conforme registrado na época pelo extinto IBC – Instituto Brasileiro do Café. O consumo de 4,81 kg, que equivale a quase 81 litros de café por pessoa por ano, foi 3,5% maior ao registrado em 2009 (que ficou em 4,65 kg). Com isso, o consumo brasileiro se aproxima ao da Alemanha, que é de 5,86 kg por habitante/ano e já supera os índices da Itália e França, que são grandes consumidores de café. Os campeões de consumo, entretanto, ainda são os países nórdicos – Finlândia, Noruega, Dinamarca – com um volume próximo dos 13 kg por pessoa/ano.

