Pimenta-do-reino é tema de projeto aprovado pela Fapes

por Portal Campo Vivo

p-reinoO Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) foi contemplado em quatro projetos aprovados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Um deles foi sobre a “Avaliação da qualidade de genótipos de pimenteira-do-reino submetidos a diferentes processos de beneficiamento”, do pesquisador Lúcio de Oliveira Arantes. O projeto visa avaliar a influência dos diferentes processos de beneficiamento/secagem sobre os teores de óleo essencial e oleoresina em grãos de pimenta-do-reino, de dois genótipos, assim como avaliar o efeito do branqueamento sobre o processo de secagem.

A pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) é o condimento mais consumido do mundo. Conhecida internacionalmente como black pepper, ela possui uma infinidade de aplicações que vão desde a indústria alimentícia à farmacêutica, sendo muito popular na tradicional medicina indiana. Seus compostos lhe conferem propriedades anti-inflamatórias, antidepressivas, antiespasmódicas, hepatoprotetivas, antitumorais, etc., além de ação inseticida, fungicida, larvicida, bactericida, antioxidante, entre muitas outras. Grande parte dos compostos ativos está presente no óleo essencial e no oleoresina, os quais constituem-se de produtos nobres e de elevado valor agregado, com demanda crescente no mercado.

Cada vez mais qualitativa e quantitativa referente aos teores de óleos essenciais e oleoresinas presentes nos grãos assume importância. Os efeitos de cultivares, condições edafoclimáticas, maturidade, processos de beneficiamento e secagem, métodos de obtenção do óleo e análise de composição do produto afetam fortemente a qualidade. E que dentre esses fatores os processos de beneficiamento e secagem estão entre os mais críticos, e é a etapa em que ocorrem as maiores falhas, comprometendo sobremaneira a qualidade do produto.

A pipericultura no estado do Espírito Santo é uma atividade tipicamente familiar e de grande importância para a complementação da renda dos produtores. O processamento da pimenta-do-reino geralmente é realizado na propriedade, com base no conhecimento empírico e muito sujeito a erros que via de regra comprometem e muito a qualidade do produto final. Com o projeto do pesquisador Lúcio de Oliveira Arantes, a possibilidade de obter um produto mais uniforme e de melhor qualidade poderá contribuir para o aumento da renda das famílias envolvidas e, assim, favorecer para que a atividade torne-se cada vez mais justa socialmente.

“Devido à amplitude do termo qualidade cabe esclarecer que, neste caso, abrange principalmente três aspectos: físico, microbiológico/sanitário e químico. Há normas nacionais, a exemplo da instrução normativa nº 10 de 15/05/2006 do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), e internacionais (ASTA e/ou ESA, por exemplo) estabelecendo padrões mínimos de qualidade para a comercialização, a fim de assegurar aos consumidores que lhes sejam ofertados produtos livres de contaminantes e impurezas e, portanto, seguros ao consumo humano. Quanto à qualidade química citada anteriormente, existem diferenças quantitativas e qualitativas dos compostos presentes principalmente no óleo essencial e no oleoresina’, ressaltou o pesquisador do Incaper Lúcio de Oliveira Arantes.

De modo geral, no óleo essencial e no oleoresina encontram-se os compostos responsáveis pelo aroma e pungência do produto, respectivamente, e desta forma, mesmo que de uma maneira bastante simplificada, a qualidade pode ser expressa pela quantidade dessas substâncias presentes nos grãos, que são as partes comercializáveis e, portanto, de maior interesse.

O pesquisador ressalta, ainda, que o Espírito Santo avançou muito em relação à produção de pimenta-do-reino. Em 1990, por exemplo, o estado foi responsável por 6,24% da produção nacional, já em 2014 o percentual quase triplicou, subindo para 17,94%, e a expectativa é que ao final de 2016 a produção estadual represente mais de 30% da produção nacional, segundo dados do IBGE.

“Entretanto a qualidade da pimenta-do-reino capixaba tem sido contestada. Desta forma é urgente entender melhor como alguns processos decorrentes do beneficiamento interferem na qualidade final do produto, permitindo assim a recomendação de técnicas mais adequadas à obtenção de grãos com reconhecida qualidade, agregando valor ao produto capixaba”, disse Lúcio.

Impactos da Proposta: Técnico-científicos

A geração de informações baseadas no método científico contribui muito para a melhoria dos processos, pois fornece subsídios aos técnicos responsáveis pela produção/beneficiamento, para que empreguem da melhor forma para a obtenção de produtos superiores. Conhecer o impacto dos diferentes processos de beneficiamento poderá contribuir para que os produtores não cometam erros que possam prejudicar a qualidade.

O projeto poderá, ainda, gerar informações suficientes para a uniformização do processo de secagem, a fim de que se obtenha um produto de excelente qualidade, principalmente no estado do Espírito Santo, o qual poderá em breve tornar-se o primeiro terroir brasileiro de pimenta-do-reino.

Formação dos Estudantes

Desenvolvido em parceria com a EEEFM Prof. Manoel Abreu, localizada em uma área considerada de vulnerabilidade social no município de Linhares, Norte do Estado, o projeto envolve 10 bolsistas de iniciação científica e um professor tutor da escola, e ainda dois monitores (graduandos) de uma instituição de ensino superior.

“Pretendemos trabalhar com alunos de baixa renda que têm demonstrado interesse pelo estudo, por meio da avaliação do rendimento escolar e da frequência. São alunos em situação vulnerável que terão oportunidade de construir uma nova visão do futuro mediante a participação em projetos de pesquisa. Acreditamos que o convívio com alunos de graduação e pesquisadores poderá melhorar significativamente a visão da vida e perspectiva de futuro destes jovens. Muitos deles jamais pensaram em cursar o ensino superior e a participação neste projeto com certeza irá influenciar positivamente no ingresso em um curso de graduação”, ressaltou o pesquisador.

O fato de ser selecionado como um bolsista de Iniciação Científica Júnior (ICJ) dá a esse aluno o diferencial quando ele busca entrar no meio acadêmico, pleiteando bolsa, devido ao aumento da competitividade com a melhoria do currículo. A intenção é que este aluno venha a ser o próximo bolsista de Iniciação Científica no Ensino Superior, buscando a transformação do aluno por meio do estímulo das atividades propostas, que sairá do conhecimento básico ao espírito crítico de como lidar com situações cotidianas do ambiente acadêmico e serem inovadores no meio científico.

Vanessa Capucho

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