Firmando posição contrária a de que os produtores rurais estão fazendo uso indiscriminado da água do Rio Itauninhas, o presidente da Associação dos Irrigantes do Espírito Santo, Saulo Fávaro, telefonou para o jornal Tribuna do Cricaré, e disse que “a questão é climática e não de abuso”.
Ele lembra que Pinheiros é uma referência na produção agrícola, principalmente de café e mamão, gerando emprego e renda para a economia local.
“O produtor está colocado como criminoso, mas na verdade ele sofre junto com a população por causa da seca”, pondera. Para Saulo, além de manter a produtividade das lavouras, mesmo com a água escassa, o agricultor tem responsabilidade sobre os empregos que gera. “Proporcionalmente, Pinheiros já foi recorde em carteiras assinadas no campo, graças à ação dos produtores”, destaca.
O presidente da Associação dos Irrigantes, que também preside o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Itaúnas, diz que há mais de mil barragens em Pinheiros e que a gestão do uso da água é de responsabilidade do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema).
Saulo Fávaro lembra que no passado já foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre irrigantes, Ministério Público, Cesan e sociedade civil. “A prioridade é o abastecimento humano, desde a hora que esteja faltando água. Hoje ainda não falta”– aponta.
BARRAGEM
“O produtor rural não é inconsequente”,defendeu o secretário municipal de Agricultura, Valter José Matielo. Ele lembra que é competência do Estado outorgar o uso da água e que, “se existe alguém sem outorga, é caso para Ministério Público”. Uma forma de amenizar os conflitos pelo recurso natural imprescindível é a conclusão da barragem do Rio Itauninhas, conforme defende Matielo. “É preciso indenizar as áreas que vão ser inundadas. Existe um projeto feito, já se sabe o valor e já se pleiteou isso junto ao Governo do Estado”, recorda o secretário. Para Matielo, a notícia publicada pela TC na edição de ontem, sobre a questão do abastecimento de água suscitada pelo vereador Robson Fernando, gera a oportunidade para unir esforços. “Vamos unir Legislativo, Executivo e produtores para ajudar a sensibilizar o Governo do Estado e agilizar essa liberação dos recursos, para que possa indenizar os produtores”.
Tribuna do Cricaré
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