Em um mundo cada vez
mais necessitado de ações que valorizem a preservação ambiental, a adubação
verde tem-se destacado como uma excelente opção para a recuperação e melhoria
dos solos. A técnica agrícola, utilizada há mais de 2.000 anos por gregos,
romanos e chineses, consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado
potencial de produção de massa vegetal, com o objetivo de melhorar as condições
físicas, químicas e biológicas dos solos.
A prática, desde que utilizada continuamente, aumenta o teor de matéria
orgânica, recuperando solos degradados; diminui a perda de nutrientes, como o
nitrogênio; reduz a quantidade de plantas invasoras; favorece a proliferação de
minhocas e reduz o ataque de pragas e doenças.
A utilização de adubo verde contribui ainda para diminuir o emprego de
fertilizantes minerais e defensivos e, devido à cobertura que desenvolve na
superfície do solo, também protege a terra contra os efeitos da erosão.
O Analista da Embrapa Roraima (Boa Vista/RR), José Alberto Mattioni, explica
que a família das leguminosas é a mais utilizada como adubo verde. A principal
razão está em sua capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico. “Isso porque as
leguminosas são capazes de fazer uma associação com bactérias próprias para
fixar esse nutriente tão importante. Assim, com essa adubação natural, cai o
custo da produção, uma vez que o agricultor não precisará comprar adubo
nitrogenado”, completa o agrônomo.
Outro motivo é que as leguminosas apresentam um sistema radicular geralmente
bem profundo e ramificado, capaz de extrair nutrientes das camadas mais
profundas do solo. Na Região Norte, as leguminosas mais indicadas para a
produção de adubo verde são: feijão guandu, feijão de porco, mucuna preta,
mucuna cinza, crotalárias, calopogônio.
A adubação verde pode ser feita de duas maneiras, uma delas é o plantio das
sementes de leguminosas ou gramíneas em meio às lavouras permanentes, como é o
caso dos milharais. Depois de crescer e florir, as plantas são roçadas e
deixadas no terreno para se transformarem em adubo natural. Outro método é o
plantio direto, em que primeiro se plantam as sementes e depois em cima da
palhada são cultivadas outras culturas, como as hortaliças.
Nessa perspectiva, adubação verde pode ser utilizada em:
– Rotação de culturas:
quando são utilizadas antes ou depois de uma cultura para melhorar o solo para a
cultura que será plantada em seguida.
– Em consórcio: quando ocorre o plantio conjunto da cultura e do adubo verde,
e, em seguida, o corte e deposição do material sobre o solo para fornecer
nutrientes ainda para esta cultura.
Contudo, é muito importante que o agricultor tenha
o devido acompanhamento para que possa escolher as espécies de adubos verdes
adequadas para cada tipo de clima, solo e sistema de manejo das plantas
cultivadas.
Saiba mais sobre este assunto ouvindo o programa
Prosa Rural, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
– Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O
programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome.
Clarice Monteiro
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