Os cafeicultores baianos querem aproveitar o bom momento que vive a commodity – com a saca sendo vendida por até US$ 300 depois de dez anos cotada em cerca de US$ 42 – para conseguir o apoio do governo do Estado para obter certificações de denominação de origem e “fair trade” (comércio justo).
A reivindicação, necessária para que os produtores acessem mercados especializados em cafés especiais, foi exposta na manhã, do dia 1º de março, durante “coffe break” organizado pela Assocafé para tratar dos preparativos do 13º Seminário Nacional do Agronegócio Café (Agrocafé), que acontece nos dias 12 e 13 deste mês em Salvador.
“Estamos concluindo a certificação no Oeste baiano, mas precisamos de apoio do governo para prestar a assistência técnica e acompanhar os produtores da Chapada Diamantina e região de Vitória da Conquista, onde se concentra cerca de 75% da nossa produção”, explicou o presidente da Assocafé, João Lopes Araújo.
Outras dificuldades apontadas pelo cafeicultor foram a demora no licenciamento ambiental de novas áreas para plantio e na concessão de outorgas para áreas irrigadas, acesso às linhas de crédito para a lavoura – encarecidas pelas instituições bancárias, uma vez que a cultura leva cerca de três anos para começar a colheita. Além da escassez de rotas para mercados da Ásia e de operações logísticas para exportação, por meio dos contêineres do tipo “big bags”, para grandes produtores e de caixinhas de 30 kg para armazenamento a vácuo de cafés especiais, e a ausência de bases de armazenamento na Bahia.
“Isso faz com que boa parte da nossa produção seja estocada em Minas Gerais e Espírito Santo e escoada por portos da região Sudeste. Por isso, iremos elaborar um documento sugerindo medidas a serem tomadas pelos poderes públicos para incentivar a produção de café”, antecipou.
Fim da pobreza – Araújo explicou também que, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), existem cerca de 27 mil pequenos agricultores na Bahia (com prorpriedades de até 20 hectares) e que, dentre outras culturas, produzem café. Segundo ele, os lucros da safra do café têm contribuído para fixar o homem no campo e combater a pobreza, motivo da escolha do tema “Cafés do Brasil: promovendo o fim da pobreza” para o seminário.
“Já estive duas vezes com o ministro Afonso Florence, que também é cafeicultor e ele está entusiasmado para facilitar o acesso dos pequenos agricultores a linhas de crédito e assistência técnica”, comemorou.
Cenário – A Bahia produz atualmente cerca de 2,5 milhões de sacas de café, o que lhe confere o quarto lugar na produção nacional, que é de 55 milhões de sacas e liderada por Minas Gerais. A negociação da safra brasileira de 2011 gerou no mercado primário (do produtor ao primeiro comprador) cerca de US$ 13 bilhões, dos quais US$ 8 bilhões são oriundos das exportações.
Gente e Mercado
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