Durante esta semana, o Portal Campo Vivo está publicando matérias especiais sobre o estudo do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) sobre o mercado de madeira no estado do Espírito Santo, com o resultado de cada segmento consumidor ligado ao setor florestal.
Nesta sexta-feira, você confere o resultado do estudo sobre consumo de madeira no setor siderúrgico.
O CONSUMO DE MADEIRA DO SETOR SIDERÚRGICO
A atividade siderúrgica no estado do Espírito Santo, com base na tecnologia de produção com uso de carvão de origem vegetal, está representada em três empresas: a Siderúrgica Ibiraçú, situada em município de mesmo nome, a Companhia Brasileira de Ferro – CBF, com unidades instaladas nos municípios de João Neiva e Viana (esta ultima atualmente desativada) e a Usina Santa Barbara em Vila Velha, com produção anual, respectivamente, de 96 mil, 228 mil e 96 mil ton. de ferro-gusa.
Na década de sessenta, com o advento do Programa Nacional de Incentivos Fiscais ao Florestamento e ao Reflorestamento, boa parte dos investimentos foi direcionada para o setor siderúrgico capixaba, na época representada por empresas de médio e grande porte como Acesita, Belgo Mineira, Cimetal e Metalpen. A primeira por motivos de natureza conjuntural e de logística de produção desativou suas atividades no Estado, desfazendo-se das suas fazendas florestais, cujos adquirentes optaram por outras atividades agropecuárias. A Belgo-Mineira foi incorporada ao Grupo da Arcelor Mittal, mas não consome carvão vegetal e sim gás como fonte de calor, já que a mesma também só trabalha com sucata de ferro. A Cimetal e a Metalpen foram vendidas e atualmente em seus lugares funcionam, respectivamente, a Siderúrgica Ibiraçú e a Usina Santa Bárbara.
As três siderúrgicas sediadas no Espírito Santo, que funcionam com uso do carvão vegetal, consomem 1.260.000 metros de carvão por ano, se produzindo com capacidade instalada (420 mil ton. de ferro gusa por ano).
A partir da produção de ferro-gusa e dos coeficientes técnicos existentes, estimou-se a demanda anual para atendimento ao setor em 1.890.000 m3 de madeira, equivalente a um corte de 9.000 ha por ano de floresta plantada de eucalipto.
Considerando-se um ciclo de corte do eucalipto de 7 anos, o que garante uma produção média de 210 m3 de madeira/ha aos 7anos, a área necessária de plantio atual para suprir a demanda é de 63.000 ha.
Comparando com o estudo feito em 2003, sobre a área necessária de plantio de eucalipto para atender este setor, que foi de 54.520ha, nota-se um aumento de 15% em relação à demanda atual. Este setor continua sendo o segundo maior consumidor de madeira no Espírito Santo, perdendo apenas para o setor de produção de celulose.
Considerando as três siderurgias existentes no estado do Espírito Santo, cerca de 70% do carvão consumido utilizado na fabricação de ferro-gusa, é oriundo de outros Estados. Isso equivale a uma área plantada de 44.100ha de eucalipto. No entanto, existe a tendência que o setor siderúrgico tenha um consumo crescente de carvão oriundo do estado do Espírito Santo, através de produção própria ou adquirido de terceiros.
Os principais problemas para o desenvolvimento desse setor são a falta de matéria prima, minério e principalmente o carvão, todos associados ao custo de logística. A maior parte do ferro-gusa é vendida para o mercado externo, especialmente para a Europa e Estados Unidos da América.
É importante destacar que o setor siderúrgico é muito variável em termo de produção de ferro gusa em função principalmente da enorme flutuação da demanda do mercado e da fragilidade interna na disponibilidade e produção de carvão vegetal.
Nesta próxima segunda-feira (16), na sexta parte deste especial sobre o mercado madeira, você confere “O Consumo de madeira como energia (lenha e carvão) nos segmentos comercial e residencial”.
Redação Campo Vivo
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