Durante esta semana, o Portal Campo Vivo está publicando matérias especiais sobre o estudo do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) sobre o mercado de madeira no estado do Espírito Santo, com o resultado de cada segmento consumidor ligado ao setor florestal.
Nesta quarta-feira, você confere o resultado do estudo sobre consumo de madeira no setor moveleiro.
O CONSUMO DE MADEIRA DO SETOR MOVELEIRO
O uso da madeira de floresta plantada de eucalipto e pinus na fabricação de móveis, tanto na forma de madeira serrada ou chapas reconstituídas, já substitui a maioria absoluta da madeira de florestas nativa na indústria moveleira do Estado. Esta substituição se verifica tanto nos fabricantes de móveis sob encomenda quanto na indústria de móveis em série. Deve-se ressaltar que esta mudança não ocorreu somente por falta de oferta de matéria-prima de floresta nativa, mas sim, por maior nível de consciência ecológica de grande parte dos consumidores, dificuldade impostas pela legislação quanto à comercialização de madeira, praticidade no uso de chapas reconstituídas e da disponibilidade da madeira de pinus e eucalipto, bem como por proporcionar um produto final de custo mais competitivo.
O consumo de madeira sólida de floresta nativa está identificado em madeiras tropicais da Região Amazônica, principalmente das espécies angelim pedra (Hymenalobium excelsum) e peroba (Aspidosperma populifolium). Atualmente o percentual do uso da madeira nativa não ultrapassa 3 a 4% da composição dos móveis fabricados e está mais concentrado na indústria de móveis sob encomenda.
Tabela 3: Volume e percentual de madeira consumida pelo setor moveleiro do Espírito Santo
|
TIPO DE PRODUTO |
TOTAL (ES)* m³/ano |
% |
|
MDF |
128.000 |
30,85 |
|
MDP |
185.624 |
44,74 |
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Aglomerado |
36.000 |
8,68 |
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Compensado |
3.600 |
0,87 |
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Chapa dura |
4.500 |
1,08 |
|
Total parcial (1) |
357.724 |
86,23 |
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Madeira maciça de eucalipto |
36.452 |
8,79 |
|
Madeira Lyptus |
4.680 |
1,13 |
|
Madeira nativa |
16.000 |
3,86 |
|
Total parcial (2) |
57.132 |
13,77 |
|
TOTAL |
414.856 |
100 |
* Informações obtidas junto ao sindicatos SINDIMOVEIS, SINDIMADEIRA e LYPTUS,
Usada inicialmente na fabricação de estruturas de estofados e armários, a madeira de eucalipto teve seu uso ampliado, sendo, atualmente, usada no setor moveleiro para fabricação de peças nobres como: mesas, cadeiras, dormitórios, acessórios de decoração, objetos de arte e como material de acabamento, conforme se constata nos produtos oferecidos pelos pólos industriais de Linhares, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Grande Vitória.
No Estado do Espírito Santo existem serrarias que desdobram madeira de eucalipto principalmente das espécies E. urophylla e E. grandis e seu híbrido “urograndis” para uso no setor moveleiro. Esta madeira geralmente é utilizada para fabricação de estrados de cama e algumas estruturas internas de armários e poltronas. Para compor as partes mais nobres dos móveis são utilizadas madeiras da Lyptus® Produtos de Madeira S.A., localizada no Extremo Sul da Bahia. A madeira Lyptus® é produzida a partir de matéria-prima proveniente de florestas plantadas, certificadas pela PEFC/CERFLOR.
O uso da madeira do eucalipto como modelo de produção sustentável na fabricação de móveis, fez o poder público capixaba estabelecer mecanismos que garantam a oferta de matéria-prima para a indústria moveleira local. Exemplo disso está nos bem-sucedidos programas Produtor Florestal I e II, desenvolvidos pela FIBRIA que, ao serem licenciados pelo poder público, foi estabelecido, dentre as condicionantes, a obrigação da empresa fomentadora resguardar ao fomentado até 9% da produção de madeira para uso distinto da celulose. Outro programa criado pelo poder público com a mesma finalidade foi o Extensão Florestal, administrado pela Seag-ES/INCAPER, em parceria com a FIBRIA, através do qual a Fibria disponibiliza para distribuição pelos órgãos do governo, o qual chega a um quantitativo de até 2 mil mudas por produtor, além de assistência técnica para a condução das lavouras.
Considerando que a produção de sólidos de madeira de floresta plantada envolve um rígido processo de seleção, observado desde as áreas de plantios até o beneficiamento da madeira, estima-se que a produção média por hectare para a finalidade moveleira não ultrapasse os 150 m³ de produtos sólidos aproveitáveis, dos 420 m³/ha previstos ao longo dos 14 anos do ciclo.
Estimando-se que a produção de sólidos de madeira destinados à indústria moveleira com fluxo de consumo no Estado seja de 36.452 m³, anualmente, precisa-se cortar, aproximadamente, 243 ha/ano de área reflorestada para atender a este mercado. Considerando um ciclo de corte de 14 anos, a área necessária de plantio é de 3.402 ha. Vale ressaltar que a área necessária atualmente é menor que o levantamento apurado em 2003, quando esta foi de 3.700 ha, resultado que confirma o aumento em percentual do uso de chapas de madeira reconstituídas na composição dos móveis.
Nesta quinta-feira (12), na quarta parte deste especial sobre o mercado madeira, você confere “O Consumo de madeira no setor de celulose”.
Redação Campo Vivo
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