ESPECIAL – Mercado da madeira no Espírito Santo – Estudo geral

por admin_ideale

 

 

O Cedagro – Centro de Desenvolvimento do Agronegócio concluiu o estudo sobre o mercado de madeira no estado do Espírito Santo em parceria com a Fibria, a Secretaria de Agricultura, o Incaper e o bandes. O estudo teve o objetivo de conhecer as demandas e outras informações importantes dos setores consumidores de matéria-prima florestal, bem como identificar os mercados alternativos para os produtores rurais, levantar as oportunidades de negócios florestais e apontar as necessidades de ações do poder público e privado.

Durante esta semana, o Portal Campo Vivo vai publicar matérias especiais sobre o estudo, com o resultado de cada segmento consumidor ligado ao setor florestal (serrarias, celulose, carvão, siderúrgico, etc.)

 

O mercado de madeira no Espírito Santo

O setor florestal capixaba apresenta uma relevante importância social, econômica e ambiental na medida em que movimenta cerca de R$ 5 bilhões, o que corresponde a 25% do PIB do agronegócio estadual; representa 65% do valor de exportação do negócio agrícola; gera cerca de 80 mil empregos diretos e indiretos e envolve em torno de 28 mil propriedades rurais como fomentados ou produtores independentes. É um dos setores que mais tem crescido em área plantada nos últimos anos com incremento médio anual de 4,29% no período de 2003 a 2009.

O Espírito Santo tem boa aptidão para o cultivo florestal representando 30% das terras agricultáveis do Estado, o que corresponde cerca de 900 mil hectares de terras com vocação preferencial para essa atividade. Em 2009, o Estado possuía cerca de 250 mil hectares de área plantada com eucalipto, ocupando aproximadamente 10% da área agrícola do estado e representando 3,8% da área de florestas plantadas do Brasil. 

O estudo identificou que é recente a utilização de madeira de eucalipto, no estado do Espírito Santo, para outros fins além do uso tradicional para celulose que representa 72% do consumo total. Além de postes e mourões tratados, uma enorme lista de produtos da madeira de eucalipto como pranchas, ripas, vigas, tábuas, caibros, toretes, calços, cavaletes e paletes, são facilmente encontrada no mercado e se integram cada vez mais à produção de embalagens, esquadrias, móveis e ao segmento de acomodação de cargas.

 

Balanço da oferta e demanda total existente para os diversos segmentos consumidores no estado do Espírito Santo – 2010

DEMANDA

TOTAL

(ha)

OFERTA  TOTAL DE MADEIRA DE EUCALIPTO DE TODOS OS ESTADOS (ha)

SALDO TOTAL (ha)

ÁREA ESTADUAL

ÁREA FORA DO ES

TOTAL

464.608

249.922

204.770

454.692

(9.916)

 

 

Concluiu que existe um equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda anual de madeira de eucalipto, considerando a área plantada no Espírito Santo mais os ingressos de madeira de outros estados, especialmente, da Bahia e de Minas Gerais. O déficit identificado de apenas 9.916ha corresponde a cerca de 4% da área plantada do Espírito Santo, o que permite afirmar a condição de equilíbrio identificada

Considerando a demanda total de madeira do estado, verificou-se que a área plantada no Espírito Santo corresponde a 54% da área total necessária ao atendimento da demanda. Em 2003, cerca de 36% da demanda capixaba era atendida com madeiras de outros estados e agora essa dependência é de 46%.  Esse aumento de dependência externa é principalmente pela expansão do parque celulósico sem a necessária verticalização da oferta de matéria prima a partir de plantios em território capixaba.

Comparativamente a 2003, a demanda de madeira de eucalipto para celulose cresceu 10,92% (de 266.700 ha para 295.816 ha) e o setor siderúrgico manteve seu parque industrial, mas cresceu a demanda de carvão em 15%. De outro lado, a demanda de madeira para outros fins cresceu 52,49% (de 45.040ha para 68.683 ha), o que representa 27,48% da área total de florestas plantadas de eucalipto no Estado.

Neste particular, o segmento de transformação primária e secundária de toras de eucalipto, ou seja, as serrarias e as usinas de tratamento de madeira surpreenderam pelo número de empreendimentos (329 serrarias e 30 usinas de tratamento de madeira), pelos níveis de consumo e abrangência dos mercados atendidos, tanto no Espírito Santo como em outros estados. Juntas consomem praticamente 1 milhão m³ de madeira de eucalipto, o equivalente a uma área necessária de 36.550ha o que representa cerca de 15% da área plantada de eucalipto no Espírito Santo. Esse crescimento tem a ver com uma maior exigência de produtos certificados, com origem em florestas plantadas e manejadas, com preços mais acessíveis, bem como pelas pressões ambientais e limitações de oferta madeira de lei.

Destaca-se também que dos principais produtos oriundos do processamento do eucalipto em serrarias, houve uma redução na produção de caixas, em função da substituição de madeira por caixas plásticas, papelão, entre outros, e o aumento significativo na produção e no número de serrarias que produzem esquadrias (portas, janelas, alisares, rodapé e outros) de eucalipto, substituindo as nativas e nas serrarias que produzem paletes, toretes, calços, cavaletes e outros produtos para acomodação de cargas que cresceram em função da mecanização do processo de armazenamento e logística de cargas. Cresceram significativamente também a produção de estacas imunizadas usadas, principalmente, na construção e atividades rurais e produtos de serrarias de eucalipto para construção civil e para o setor moveleiro.

 

Nesta terça-feira (10), na segunda parte deste especial sobre o mercado madeira,  você confere “O Consumo de madeira com origem nas serrarias e nas usinas de tratamento”.

 

 

Redação Campo Vivo

 

 

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