Diversificar a economia e estimular uma atividade inovadora que gere lucros e empregos. Esses foram os objetivos da Apresentação do Estudo sobre o Mercado de Madeira, realizado nesta segunda-feira (12), no auditório da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes). Os números apontaram o crescimento do mercado de madeiras e o avanço do setor florestal capixaba. Essa atividade está presente em 28 mil propriedades rurais, gerando cerca de 80 mil empregos, e fomentando a diversificação do mercado madeireiro no Estado, que movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano e corresponde a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba.
O estudo foi realizado pelo Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), em parceria com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Incaper, Bandes e Fibria, e mostrou que o volume de madeira produzido pelo Espírito Santo em 2010 foi de 13,3 milhões de metros cúbicos, equivalentes a uma área de 464 mil hectares. Diante desse crescimento, foi notada uma diversificação da atividade nos últimos seis anos, pois o eucalipto tem tido destaque com o crescimento da produção de celulose (11%) e carvão (15%) para a siderurgia.
Com o mercado madeireiro em expansão, há necessidade de se ampliar a área florestal para que a demanda seja atendida. Ao todo, são 329 serrarias e 30 usinas de tratamento de madeira para o atendimento à demanda de transformação primária e secundária de toras de eucalipto, que são transformadas em postes e mourões – além de ripas, vigas, tabuas, calços e demais peças utilizadas na produção de embalagens, móveis e no segmento de acomodação de cargas.
De acordo com o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, o aquecimento do mercado é uma ótima oportunidade para os agricultores expandirem o plantio de florestas. “O momento é ótimo para que os proprietários possam avançar em seus cultivos florestais e diversificar suas atividades econômicas”, afirmou.
“A maior parte da floresta capixaba é de eucalipto, que responde por 87% da demanda de consumo madeireiro no Estado. Esse aumento é justificado pela mecanização do processo de armazenamento e logística de cargas”, apontou o secretário Enio Bergoli.
“O Espírito Santo possui envergadura para o cultivo florestal, representando cerca de 30% de terras agricultáveis em um total de 900 mil hectares voltados ao reflorestamento”, destacou o técnico do Cedragro, Gilmar Dadalto.
A região conhecia como ‘sul quente’, atualmente ocupada com pastagens, é uma área propícia ao plantio de florestas destinadas ao mercado consumidor de madeiras e, além disso, a região centro-serrana concentra o maior número de serrarias, sobretudo aquelas de pequena base familiar, que vivem para o autossustento. A ampliação da área florestal é uma boa opção devido ao aquecimento do mercado que estimula a economia capixaba, gerando empregos e tornando o Estado mais competitivo no setor.
Oferta e demanda
A demanda anual de madeira de eucalipto possui um equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda se for considerada a área plantada no Espírito Santo, somada à inserção de madeiras vindas de outros Estados, como Bahia e Minas Gerais.
De acordo com o estudo, foi constatada que se a demanda capixaba for levada em consideração à área plantada, o Estado possui 54% da área total necessária ao consumo. Em 2010, o consumo capixaba chegou a ser atendido por 46% de madeiras de outros Estados. Esse aumento de dependência externa é decorrente, principalmente, da expansão do parque celulósico sem a necessária verticalização da oferta de matéria prima a partir de plantios em território capixaba.
Reuber Diirr
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