As várias situações que a sociedade vive no momento, seja pela questão econômica, social, ou mesmo pela questão ambiental, faz o cidadão crer e agir com a mais absoluta certeza de estar correto, principalmente na época da comunicação fácil. Vejamos alguns exemplos. Dia desses ouvi um produtor dizer que derrubou a mata porque naquela época o imposto onde havia mata era maior. O incentivo era derrubar para produzir. Teve um slogam do Presidente Figueiredo que dizia: “Plante que o João garante”. As cidades e indústrias e até mesmo qualquer empreendimento que gerassem poluição, eram construídas próximos aos rios para que a água levasse os resíduos. Situação idêntica foi a do programa PROVÁRZEAS, um programa governamental que incentivava a drenagem para o aproveitamento de áreas alagadas, onde foram dizimadas várias nascentes.
Naquele momento aquilo era correto para a sociedade e mesmo para vários profissionais da área. E atualmente, o cidadão aceita e apóia qualquer coisa em prol do meio ambiente, desde, é lógico que isso esteja na mídia e não lhe atinja diretamente. É a falta d´água, aquecimento global, lixo, poluição, desmatamento etc, isto, podemos dizer que está na “moda” e quando isso acontece aparecem pessoas defendendo a bandeira do meio ambiente sem nunca terem posto o “pé no chão”. Denunciam qualquer atitude que na sua opinião é ecologicamente incorreto, às vezes até o corte de uma árvore que ameaça cair em cima de uma residência.
Por falta desses conhecimentos o mais massacrado é o produtor rural, porque derrubou as matas, usa as áreas de proteção permanente para produzir alimentos e várias outras leis da qual ele não participou nas decisões. E se hoje um produtor derrubar uma mata, pode ser denunciado pelo vizinho que derrubou tempos atrás. A sociedade quer que este mesmo produtor conserve a natureza, sem ele saber que Produtor no “vermelho” não consegue conservar o “verde”, ou seja se o cidadão quer ar puro e água limpa, deve pagar por isso. Vejamos a questão dos agrotóxicos: Conforme a literatura o veneno quando utilizado, no mínimo 50% vai para o meio, e a preocupação está apenas nas embalagens, onde o produtor tem que devolvê-la limpinha para o fabricante. Não estou dizendo que é incorreto, apenas analisando e alertando do real perigo, afinal, será que uma embalagem depois da tríplice lavagem será tão perigosa assim, se no mínimo metade do estava dentro dela já foi para o meio. A questão do lixo e poluição: Em definição, poluição é qualquer alteração indesejável que muda as características originais de um determinado meio.
Já assisti algumas palestras onde o orador falava com todas as letras que o vidro demora 1.000.000 de anos para se decompor, e o plástico, mais de 100 anos. Se analisarmos a fundo podemos concluir duas situações interessantes. Primeiro: A composição do vidro em sua maioria é areia e areia não polui. Segundo: Se o material não se decompõe, ele polui apenas na questão visual conforme o local em que está. Não estou considerando os rios de dentro das cidades. Se dentro da água cai um material que demora muito para se decompor, ele não vai causar alteração na composição química, ao contrário do material orgânico de decomposição rápida que exigem alta Demanda Bioquímica de Oxigênio. É o caso do esgoto doméstico com detergentes, shampoos, resíduos de indústrias etc. O vilão é o litro pet que bóia e aparece, mas não provoca nenhuma alteração química.
Concluindo, hoje, corretamente, criticamos as derrubadas das matas, o lançamento de esgotos nos rios e várias outras situações de conseqüências irreversíveis, então resta-nos ampliar nossos conhecimentos, e ter consciência crítica para analisar em todas as dimensões e não ser levado pela mídia e pelos oportunistas do momento, e principalmente, prever o que vamos criticar daqui a alguns anos.
Jair Antonio Toso
Engenheiro Agrônomo
CREA 3678 D 11ª região
Email: jairtoso@hotmail.com
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